Cáritas de Aveiro e associação abriram espaço de atendimento e informação sobre violência doméstica

O espaço para atendimento a vítimas, denúncias, e informações sobre violência doméstica funciona na Cáritas, na segunda e quarta sextas-feiras de cada mês, das 9h30 às 12h30.

Entrou em funcionamento na sexta-feira passada o “Espaço Mulher”, um centro de informação e acompanhamento às vítimas de violência doméstica.

Localizado na sede da Cáritas Diocesana de Aveiro (Rua do Carmo, frente à GNR), o “Espaço Mulher” está aberto todas as segundas e quartas sextas-feiras do mês, das 9h30 às 12h30, e conta com duas psicólogas que farão o atendimento de vítimas, familiares ou quem desejar informar-se ou denunciar uma situação. As técnicas encaminharão os casos, com a colaboração de sociólogos e advogados, para as estruturas mais adequadas.

O centro é uma parceria da Cáritas Diocesana e da Associação Soroptimist Internacional Clube do Porto – Invicta e faz parte do projecto “Novo Rumo – para uma vida sem violência”, aprovado pela Comissão para a Igualdade e para os direitos das Mulheres e co-financiado pela União Europeia e pelo Estado português. O protocolo de cooperação foi assinado no dia 7 de Fevereiro, na sede da Cáritas. Esta instituição da diocese de Aveiro comprometeu-se a ceder o espaço físico e os recursos para o seu bom funcionamento, a divulgar o centro, a facilitar a formação das suas técnicas e a assegurar a confidencialidade e a segurança a todas as vítimas, enquanto a Associação Soroptimist, entre outros aspectos, dará consultoria técnica especializada, materiais para a divulgação do centro, formação gratuita e documentação sobre violência doméstica.

Na sessão em que foi assinado o protocolo, Teresa Rosmaninho, directora técnica do projecto Novo Rumo, realçou que “a violência doméstica é uma violação da ética cristã” e que o “Espaço Mulher” surge como resposta social ao “flagelo que afecta milhares de mulheres e crianças, vítimas de crime público”. Teresa Rosmaninho reconheceu o apoio que a Igreja Católica tem dado para a eliminação do problema, lendo um excerto de uma carta que D. José Policarpo. “Pode crer que não perderei nenhuma oportunidade para intervir sobre a violência doméstica”, escrevera o Cardeal-Patriarca à directora do Novo Rumo.

Por seu lado, José Alves, diácono, presidente da Cáritas de Aveiro, manifestou a disponibilidade da instituição a que preside para combater a violência doméstica e fez um pedido: “Todos os que sentem ou sabem de violência ao seu lado, sejam um elo de divulgação” do novo espaço. O presidente da Cáritas diocesana sublinhou que haverá “técnicas disponíveis para ouvir, dialogar, apoiar”, num atendimento que é “anónimo e gratuito”.

Vergonha da sociedade

Para o Bispo de Aveiro, presente na sessão, a violência doméstica “é uma excrescência da sociedade”, “um problema que devia ter desaparecido”. D. António Marcelino recordou um episódio da sua infância, uma mulher espancada em plena rua pelo marido alcoolizado, “com um pé sobre ela, como não se faz a um animal” para evidenciar que “perante a democratização do ensino, seria normal que não tivéssemos que pensar nestas coisas”. No entanto, o problema continua a existir e “envergonha a sociedade”. Mulheres e crianças “são vítimas dentro de um espaço que devia ser de amor e respeito. Dá a impressão que estamos a regredir para a barbárie, para a selvajaria”, disse o Bispo de Aveiro, que manifestou contentamento pela disponibilidade da Cáritas em abraçar o projecto.

J.P.F.