Solidariedade reconstrói casas ardidas no último Verão

O fogo levou tudo num ápice. A solidariedade vai fazendo com que a vida no Corgo de Baixo lentamente regresse ao normal. Os protocolos assinados entre a Cáritas e os poderes autárquicos permitem concluir as habitações até ao final do próximo Verão.

Na sexta-feira passada, foram assinados dois protocolos para a reconstrução das residências familiares ardidas em Setembro de 2005. O primeiro, entre a Cáritas Diocesana de Aveiro, a Câmara Municipal de Anadia (CMA) e a Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, permite o financiamento da reconstrução de três casas para quatro famílias (uma das casas será bifamiliar), no lugar de Corgo de Baixo. O segundo, entre a Cáritas e a CMA, financia a reconstrução da habitação ardida em Aguim, junto à EN 1, no mesmo conselho.

Litério Marques, presidente da Câmara Municipal de Anadia, no momento das assinaturas, mostrou uma “grande felicidade” por ter encontrado na Cáritas vontade de ajudar e sublinhou que, com a reconstrução das casas, o lugar “tem condições para progredir”, apesar da sua “condição de estar longe do litoral”.

Por seu turno, o Diác. José Alves afirmou que “é obrigação da Cáritas, enquanto instituição de solidariedade da Igreja Católica, estar junto daqueles que mais necessitam”. E acrescentou: “Não damos nada que seja nosso. Vamos contribuir com o fruto da generosidade do povo português, pessoas anónimas, a quando da campanha dos incêndios do último Verão”. O presidente da Cáritas não garantiu um financiamento total das obras à custa destes protocolos, porque somente no dia seguinte, com protocolos e orçamentos nas mãos, iria encontrar-se com os responsáveis da Cáritas Portuguesa, entidade que promoveu a campanha de solidariedade a nível nacional e que fornece o dinheiro. Mas prometeu que as obras serão concluídas num prazo muito curto. “É uma certeza que podemos garantir aos utentes”, disse, desejando que, ao completar-se um ano sobre os incêndios, e de acordo com o desejo de outras pessoas presentes na sessão, todos se encontrem para inaugurar as casas, se possível com festa religiosa e a presença do Senhor Bispo.

Armando Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, pedindo desculpas por o protocolo estar a ser assinado “sobre umas tábuas, sem umas flores”, sentiu algum alívio com o acto de sexta-feira. As obras que já puseram de pé as paredes das três casas do Corgo foram financiadas pela sua junta, com donativos solidários do povo, mas já não havia mais dinheiro para continuar.

De acordo com os protocolos agora assinados, a Cáritas financia as obras, enquanto a CMA tem à sua responsabilidade projectos, licenças, cadernos de encargos, pedidos de orçamentos, etc. Para a construção e equipamento básico das quatro casas, a soma dos quatro orçamentos mais baixos (foram consultadas três empresas de construção civil) perfaz cerca de 320 mil euros.