À Luz da Palavra – 4º Domingo da Quaresma – Ano B A liturgia deste domingo garante-nos que a salvação só nos pode vir de Deus, por Jesus Cristo, e não do nosso esforço pessoal. Afirma-nos que é tão grande e fiel o seu amor para connosco, que O leva a ser capaz de nos construir de novo, a partir dos nossos destroços humanos. Deus é igual a si próprio, é coerente no amor e na paciência misericordiosa, que dedica a cada pessoa. A fidelidade de Deus é a sua grande força e a garantia de que nele podemos confiar incondicionalmente.
A primeira leitura relata-nos, sucinta-mente, as infidelidades do povo escolhido. Os filhos de Israel procediam como um povo pagão. Por isso, eles próprios se colocaram nas mãos dos caldeus, que destruíram o templo e os seus palácios, os despojaram dos objectos preciosos e os levaram, como escravos, para Babilónia. É precisamente este povo arruinado, reduzido a um “pequeno resto”, mas purificado pelo sofrimento do Exílio, que Deus, fiel à Aliança, faz regressar à sua terra, através de Ciro, rei pagão, que também lhes mandou construir o templo e reorganizar a sua vida religiosa e social. Os caminhos de Deus são insondáveis! É na nossa descida à miséria e quando, humildemente, estendemos a mão, que Deus nos socorre. Acredito neste Deus criador e grito por Ele em cada dia da minha vida? Procuro ser-lhe fiel?
O evangelho fala-nos de um homem importante entre os judeus, Nicodemos, pertencente ao Sinédrio (tribunal dos judeus). Veio ter com Jesus pela calada da noite, para não ser criticado, pois não se quer declarar discípulo do Senhor. Quer saber quem é Ele, afinal. Jesus não se mostra grande e invencível; fala-lhe da sua fragilidade na cruz, fonte de vida nova, e ajuda-o a compreender que é preciso que ele desça da sua importância, deixe a sua duplicidade, pois quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. Do meio das trevas em que se encontrava, Nicodemos recebeu a luz da fé e, da duplicidade em que vivia, tornou-se discípulo do Senhor, através de uma longa caminhada, que terminou no alto do calvário, quando “nasceu de novo”. Sou e declaro-me, desassombradamente, discípulo do Senhor, ou escondo esta realidade quando o ambiente não me é favorável?
Na segunda leitura, Paulo afirma-nos que Deus é rico em misericórdia. Somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus, que, morrendo e ressuscitando, nos restituiu a vida. Não são as nossas obras, por mais importantes que sejam, nem qualquer outra pessoa, que nos podem salvar. A salvação é um dom de Deus e a manifestação da sua bondade, exclama Paulo. No meu relacionamento com Deus, a que atribuo maior importância: à sua misericórdia ou às minhas boas obras? Acredito que Deus é capaz de me refazer após eu me ter atolado no pecado? Cultivo a confiança e a humildade diante de Deus?
Leituras do 4º Domingo da Quaresma – Ano B: 2 Cr 36,14-16.19-23; Sl 137 (136); Ef 2,4-10; Jo 3,12-21
Deolinda Serralheiro
