Como ganhar a vida plena

À Luz da Palavra – 5º Domingo da Quaresma – Ano B A liturgia deste domingo insiste em nos afirmar que a salvação que Deus nos oferece, em Jesus Cristo, se torna possível pela perda de algo que consideramos importante, mas que, afinal, é apenas transitório, pois o definitivo, o que permanece, é o amor, a vida perdida pela causa do Reino. Esta salvação passa pela nossa vida, quando ela é gasta na escuta atenta dos projectos de Deus e na doação total aos irmãos e irmãs.

A primeira leitura revela-nos a preocupação de Deus para com a realização plena do ser humano. O próprio Deus se dispõe a intervir para mudar o nosso coração, gravando nele a sua lei e tornando-o capaz de fazer as escolhas que estão mais de acordo com essa lei. A nós é-nos pedido que nos deixemos transformar por Deus, que aceitemos o seu desafio para integrar a comunidade da nova Aliança, o que implica renunciar a caminhos de auto-suficiência, de recusa, de indiferença, face aos desafios que nos são propostos por Deus. O projecto da nova Aliança entre Deus e o seu Povo concretiza-se plenamente em Jesus: Ele veio ao mundo para renovar os nossos corações, oferecendo-nos a vida de Deus. Estou disposto/a a acolher o dom de Deus e a deixar-me transformar por Ele?

O evangelho informa-nos sobre o modo como chegar a ter um coração novo, a ser uma nova pessoa transformada à imagem de Jesus: fixando nele o nosso olhar, seguindo-o no caminho do amor, acolhendo essa vida que Ele nos propõe. Jesus há-de ser a referência para quem quer aceitar o desafio de Deus e viver na comunidade da nova Aliança. Ele aponta-nos o caminho do amor radical, da vida totalmente entregue a Deus e ao próximo. Este caminho pode-nos situar no inverso dos valores que o mundo aponta e aprecia. Porém, Jesus afirma-nos que só ganha a vida plena quem a souber perder, no esquecimento de si próprio, no serviço simples e humilde aos irmãos e irmãs, sobretudo aos pequenos e pobres, na capacidade de se solidarizar com os que sofrem, na coragem com que enfrenta tudo aquilo que gera sofrimento e morte. Estou disposto/a a seguir a proposta de Jesus, dirigindo-me por este caminho de “perda”?

A segunda leitura apresenta-nos Jesus Cristo, o sumo-sacerdote da nova Aliança, que se solidariza connosco e nos aponta o caminho da salvação. Este caminho passa por viver no diálogo com Deus, na descoberta dos seus desafios, na obediência total aos seus projectos. O texto recorda-nos a solidariedade de Jesus para connosco, que o levou a assumir a nossa humanidade e a partilhar as nossas fragilidades, dores, medos e incertezas. Assim, Ele tornou-se capaz de se compadecer da nossa miséria e de nos ajudar a superar as nossas situações de fraqueza. Cristo entende-nos, caminha à nossa frente, nesta via em ordem à vida plena e definitiva. Pela oração, Jesus encontrou forças para obedecer e para concretizar os planos do Pai, sobretudo nos momentos mais dramáticos da sua existência terrena. Crio espaço, na minha vida, para dialogar com o Pai, para perceber os seus projectos e para escutar os desafios que Deus me faz? Vivo a minha vida numa procura sincera e empenhada da vontade de Deus?

Leituras do 5º Domingo da Quaresma – Ano B: Jr 31,31-34; Sl 51 (50); Heb 5,7-9; Jo 12,20-33.

Deolinda Serralheiro