À Luz da Palavra – XI Domingo do Tempo Comum – Ano B A palavra deste domingo garante-nos que o reino de Deus, “semeado” por Jesus, vai crescendo, noite e dia, sem que disso nos apercebamos. É verdade que o crescimento do reino depende da força interna que ele próprio comporta, ao modo de fermento, mas está, também, condicionado pela actividade criadora dos homens e mulheres no seio dos quais ele foi semeado e há-de crescer.
A primeira leitura mostra-nos, a jeito de parábola, como Deus criador consegue plantar um cedro gigantesco, numa elevada montanha, a partir de um ramo novo e alto, arrancado de um cedro antigo. O cedro é figura do povo de Deus, destroçado pelo cativeiro da Babilónia, sem grande riqueza, nem cultura, mas a quem Deus, pelo vigor da sua mão poderosa, transforma num grande povo. É deste pequeno povo que brota o Messias, como rebento saído desse cedro gigantesco e cuja mensagem se estende até aos confins da terra. Quão longe dos nossos pensamentos estão os de Deus e o seu modo de agir! Normalmente, somos pela grandeza, pela fama, pelo sucesso. Como me situo eu diante dos insucessos humanos? Acredito que deles poderá sair algo de grande e novo, se vividos na confiança e no abandono à força criadora de Deus?
No evangelho, as duas parábolas da semente ajudam-nos a compreender melhor a lógica de Deus e do seu reino. A primeira semente é lançada à terra no silêncio da noite. Ninguém dá por isso, mas a semente, que contém em si toda a energia de um novo ser, vai-se desenvolvendo, dando fruto, que amadurece e é colhido. A segunda semente é tão pequenina, que, humanamente, ninguém daria nada por ela. Jesus quer dar-nos a conhecer a natureza do reino que Ele próprio veio inaugurar. É um reino que começa no interior de cada pessoa, semeado com o nosso baptismo, e que, pela força do Espírito Santo há-de transformar cada crente numa testemunha de Jesus, pelo seu ser e agir; há-de ajudar a transformar o mundo, lentamente, a jeito de fermento, sem captação televisiva, porque o bem não faz barulho, nem é sensacionalista. Acredito, existencialmente, na força transformadora do reino, em mim, pessoalmente, e no meio, através de mim?
A segunda leitura coloca-nos diante da tensão, em que vivemos, entre a experiência diária desta vida e a saudade da vida futura. Porém, esta vida que vivemos, aqui e agora, é a única oportunidade que nos é dada para fazermos crescer a semente do reino, que em nós foi depositada no dia do nosso baptismo. Para isso, somos convidados a viver na confiança absoluta em Deus e na esperança de que Ele realiza as suas promessas. Como os nossos antepassados na fé, somos convidados a olhar para o reino futuro, com os pés firmes na terra e o olhar lançado para o futuro, pois é aqui e agora o lugar e o tempo da construção, em esboço, desse reino. Que frutos espirituais produzo eu habitualmente? Deixo que a Palavra ecoe em mim e modelo as minhas palavras e gestos sobre essa Palavra salvadora?
Leituras do XI Domingo do Tempo Comum: Ez 17,22-24; Sl 92 (91); 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34
Deolinda Serralheiro
