Quem são os “Padres da Igreja”?

O Leitor Pergunta A expressão “Padres da Igreja” utiliza-se para designar um conjunto de teólogos cristãos que se distinguiram nos primeiros séculos de cristianismo. Os autores assim designados reúnem quatro características: 1) ortodoxia da doutrina; 2) santidade de vida; 3) aprovação eclesiástica; 4) antiguidade.

Os outros teólogos cristãos dessa época a quem falta alguma destas características são conhecidos por “escritores eclesiásticos” (designação que já vem de S. Jerónimo). É o caso de Tertuliano (de Cartago), Orígenes (de Alexandria) e Eusébio (de Cesareia),para nomear apenas alguns, que nos legaram escritos maravilhosos, mas que em algum momento das suas vidas saíram da ortodoxia. O advogado Tertuliano (155-222 d.C.), por exemplo, a certa altura aderiu ao montanismo, seita que pregava uma separação radical do mundo, cujo fim estaria iminente.

Há ainda um outro grupo de escritores, um pouco mais antigos, chamados “Padres Apostólicos”. Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Papias, Hermas, etc. são os primeiros autores do cristianismo após o Novo Testamento e terão estado em contacto com os próprios apóstolos, daí o seu nome.

Os padres da Igreja dividem-se em “Padres Orientais”, por viverem na parte oriental do Império Romano (desses, quase todos falavam grego), e “Padres Ocidentais” (parte ocidental do Império, de língua latina).

Padres Ocidentais: Hilário de Poitiers, Leão Magno, Ambrósio de Milão, Jerónimo, Agostinho e Gregório Magno, entre outros. Estes quatro últimos foram designados “doutores egrégios da Igreja” e “grandes padres da Igreja” por Bonifácio VII (1298).

Padres Orientais: Cirilo de Jerusalém, Gregório de Nissa, Atanásio, Basílio Magno, Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo, entre outros. A Igreja Ortodoxa venera de forma especial os quatro últimos.

Os Padres da Igreja tiveram um papel de grande destaque no combate a heresias e na definição dos dogmas católicos por concílios como o Niceia I (de onde provém quase todo o Credo recitado ao domingo), Constantinopla I e II, Éfeso ou Calcedónia.

Geralmente aponta-se como “últimos padres da Igreja” Isidoro de Sevilha (560-636), no Ocidente; e João Damasceno (675-750), no Oriente.

O pensamento dos Padres da Igreja tem tal importância que os cursos de Teologia costumam reservar uma disciplina autónoma para o seu estudo, a Patrística ou Patrologia.´

J.P.F.