À Luz da Palavra – XII Domingo do Tempo Comum – Ano B Todos passamos por fases difíceis e nos interrogamos sobre o porquê de tais dramas. Somos tentados a revoltar-nos e a perguntar: Onde está Deus? A liturgia deste domingo afirma-nos que, no decurso da nossa história pessoal e colectiva, não estamos sós, abandonados à nossa sorte, porque Deus faz caminho connosco, cuidando de nós com amor paternal/maternal e oferecendo-nos a sua vida e salvação.
A primeira leitura coloca-nos diante do sofrimento persistente de um homem bom, fustigado por toda a espécie de males. O texto apresenta Job, por um lado, diante da majestade e omnipotência de Deus e, por outro, diante da sua pequenez e finitude, que não lhe permitem perceber a lógica dos projectos de Deus. Perante isto, somos convidados a ser verdadeiros crentes, isto é, a reconhecer os nossos limites e a concluir que os projectos de Deus não se podem entender à luz da nossa ténue lógica humana. Imersos no mistério insondável deste Deus omnipotente, por vezes desconcertante e incompreensível, resta-nos atirar-nos, confiadamente, para os seus braços de Pai/Mãe, mesmo sem entendermos os seus projectos. Como reajo eu diante dos “males” da minha vida?
No evangelho, Marcos propõe-nos uma catequese sobre a Igreja, na qual os discípulos são fustigados por toda a espécie de oposições, calúnias e falsas suposições. Mas os discípulos nunca estão sozinhos a enfrentar as tempestades, porque Jesus está sempre lá, embarcado com eles, dando-lhes segurança e paz. Os discípulos nada têm a temer, porque Cristo vai com eles, ajudando-os a vencer o antagonismo das forças que se opõem à vida e à salvação das pessoas. “Ainda não tendes fé?”, pergunta Jesus aos discípulos, nos quais cada um de nós se encontra. Se tivéssemos fé, não teríamos medo e estaríamos conscientes da sua presença ao nosso lado e não estaríamos à espera de uma intervenção mágica de Jesus para nos livrar das dificuldades. O verdadeiro discípulo é aquele que aderiu a Jesus, que vive em permanente comunhão e intimidade com Ele, que caminha com Ele, que descobre a sua presença reconfortante. Qual a minha identidade de discípulo/a?
A segunda leitura assegura-nos que o nosso Deus não é um Deus indiferente, que deixa as pessoas abandonadas à sua sorte. A vinda de Jesus ao mundo, para nos libertar do egoísmo que escraviza e para nos propor a liberdade do amor, mostra que o nosso Deus é um Deus interveniente, que nos ama e nos quer ensinar o caminho da vida. Paulo, depois de ter encontrado Jesus e de ter aderido à sua proposta, tornou-se testemunha do projecto salvador e libertador de Deus para a humanidade. Cada um de nós tem de se tornar arauto das propostas de Deus e de anunciar aos seus irmãos, com gestos concretos, essa oferta de vida nova e verdadeira que Deus nos faz. Os meus gestos diários testemunham a vida nova?
A vida “açoita-nos” assustadoramente. A todos, sem excepção! Como vivo eu a experiência das minhas “tempestades”? «Ainda não tenho fé?».
Leituras do XII Domingo do Tempo Comum: Job 38,1.8-11; Sl 107 (106); 2 Cor 5,14-17; Mc 4,35-41
Deolinda Serralheiro
