Revisitar o Sínodo Diocesano Vamos celebrar, no próximo domingo, o Dia da Igreja Diocesana. As rotinas são sempre perigosas. E, também neste aspecto, é fácil encarar esse dia como uma rotina. Por tal motivo, entendi revisitar com os leitores o nosso II Sínodo Diocesano, exactamente na primeira decisão sinodal.
“A Diocese é a porção do Povo de Deus que se confia a um Bispo, coadjuvado pelo seu presbitério, de tal modo que, unida ao seu pastor e reunida por ele no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual está e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” – CD 11.
O Sínodo retoma o fundamento teológico que desenha a configuração da Diocese: uma porção do Povo de Deus, um Bispo com o seu Presbitério, o mesmo Evangelho e a mesma Eucaristia, sob o fluxo do Espírito Santo. E só nessa combinação total e na sua expressiva comunhão fraterna subsiste a Igreja de Jesus Cristo, una, santa, católica e apostólica.
Dia da Igreja Diocesana: ocasião oportuna para abrirmos horizontes, ultrapassarmos mesquinhos bairrismos de lugares e paróquias, para percebermos que não nos empobrecemos com a abertura às outras comunidades ou movimentos; antes preservamos a nossa identidade, pela comunhão da variedade de carismas, fisionomias humanas, práticas pastorais…
“A Igreja Diocesana é chamada, diariamente, pela acção do Espírito e pela vida das pessoas e da sociedade, a viver e a promover, de modo orgânico, a COMUNHÃO que Deus quis fazer com os homens e a MISSÃO iniciada por Jesus Cristo Salvador, tornando-as visíveis e operativas em todas as comunidades, movimentos, organismos e estruturas pastorais e exprimindo-se, assim, como Igreja de discípulos e de irmãos, que, fiéis ao Espírito renovador, se sentem servidores dos homens com critérios evangélicos”.
O objectivo pastoral desta primeira decisão é bem claro: o testemunho de cooperação e unidade é fundamental, para ser fiel ao projecto de Deus, para realizar o mesmo projecto como serviço à humanidade. Submissão ao Espírito renovador, mística de inclusão (o contrário do vício da exclusividade!), radical atitude de serviço são os pressupostos para se ser Igreja de Jesus Cristo, em torno do Bispo, elo de ligação à catolicidade – a toda a Igreja, de hoje e da travessia dos séculos!
Isto implica: o reconhecimento da igual dignidade de todos os cristãos e da diversidade dos seus dons; uma viva consciência baptismal, que responsabiliza pôr a render os dons próprios para proveito comum; o sentido da fraternidade que nos faz abrir aos outros e ser solidário com todos. E o Dia da Igreja Diocesana só pode ser um “acontecimento marcante da comunhão que deve existir entre todos os seus membros e as comunidades, movimentos e serviços”.
Querubim Silva
