À Luz da Palavra – XV Domingo do Tempo Comum – Ano B A liturgia deste domingo coloca-nos, de novo, diante da actividade profética e missionária.
A primeira leitura apresenta-nos uma rejeição do profeta Amós, por parte do sacerdote Amásias de Betel, onde o altar, anteriormente erguido ao Deus de Israel, foi transformado num santuário pagão, pelo rei Jeroboão I. Aqui se faziam peregrinações e se organizavam celebrações religiosas e festas luxuosas, a expensas dos mais pobres. Amós foi chamado pelo Senhor para profetizar a este povo de Israel. Ele sente que foi Deus que lhe pôs a Palavra na sua boca para denunciar esta ruptura da Aliança, assim como as injustiças, o luxo e a corrupção, que alastravam entre o povo. Denuncia a divisão social existente: por um lado, a classe alta, que vivia à custa dos “humildes” e, por outro, os criados, os órfãos e as viúvas, que eram explorados e injustiçados pelos primeiros. O profeta estava a mais, porque era voz dos sem voz, sem terra, sem defesa. Por isso, tornou-se “pessoa não grata” face aos importantes, que o convidam, agora, a retirar-se e a regressar à sua terra, de modo a não os incomodar mais.
No evangelho, Marcos conta-nos como os doze receberam de Jesus o mandato missionário e profético. Recomenda-lhes: “Se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles”, porque esta pode ser, realmente, a sorte dos que anunciam boas novas e denunciam os erros. Esta ideia de rejeição aproxima Amós dos doze, porque juntos são chamados ao anúncio profético e estão sujeitos a ser “expulsos” pelo povo a quem são enviados. No texto, podemos aperceber-nos das condições apresentadas por Jesus para que os discípulos exerçam, com ética e fé, a sua missão: envia-os dois a dois, para apoio mútuo e testemunho de fraternidade; ordena-lhes que não levem nada para o caminho, a não ser o bastão, para que se abandonem, totalmente, à providência de Deus, o que exige fé na Palavra; dá-lhes poder, simbolizado no bastão, porque a Palavra de Deus é eficaz; manda-os permanecer numa localidade ou sacudir o pó dos pés, onde não forem aceites, porque Deus não se impõe, é tolerante e respeita a liberdade de cada um, assim como as diferentes opções religiosas; finalmente, os discípulos partiram e pregaram, porque não se pode ficar apenas no desejo e nas boas intenções. Jesus Cristo pratica-se pela palavra e pela acção.
A actividade profética e missionária obedece ao plano salvífico de Deus para com o seu povo e exige um suporte doutrinal sólido e esclarecido. Por isso, encontramos, na segunda leitura, um belo texto da carta aos Efésios, onde Paulo apresenta elementos essenciais da nossa fé: por meio de Jesus Cristo, somos abençoados e chamados a ser filhas e filhos adoptivos de Deus, recebemos a remissão dos nossos pecados e a sabedoria, para podermos conhecer a vontade de Deus, recebemos a palavra da verdade, o Evangelho, que nos conduz à fé, e fomos marcados pelo Espírito Santo, que é a garantia da nossa herança gloriosa.
Leituras do XV Domingo do Tempo Comum – Ano B: Am 7, 12-15; Sl 85 (84); Ef 1,3-14; Mc 6,7-13
Deolinda Serralheiro
