Joseph Ratzinger voltou a casa

Viagem apostólica à Alemanha Bento XVI não escondeu a sua emoção, ontem de manhã, perante a multidão que o acompanhou em Regensburg, e confessou estar “um pouco confuso perante tanta bondade”, manifestando o seu profundo agradecimento a todos os que ajudaram a preparar esta viagem pontifícia. Às 300 mil pessoas que o escutaram, na cidade onde fora professor de Teologia, Joseph Ratzinger perguntou: “Em que Deus acreditamos?”. E avançou uma resposta: “Deus assumiu um rosto humano, ama-nos até ao ponto de deixar-se crucificar para carregar os sofrimentos da humanidade até ao coração de Deus”. “Hoje, que conhecemos as patologias e doenças mortais da religião e da razão e as destruições da imagem de Deus por causa do ódio e do fanatismo, é importante dizer com clareza em que Deus acreditamos e professar com convicção o rosto humano de Deus”, afirmou.

A visita que Bento XVI está a fazer à sua Baviera natal até ao dia 14 de Setembro tem-se revelado uma síntese do pontificado, pelas alusões ao relativismo, ao diálogo fé-razão, e ao esquecimento de Deus pela sociedade ocidental. Aos mais responsáveis dentro da Igreja, Bento XVI tem igualmente dirigido algumas críticas. Na oração de vésperas, em Altotting, na tarde de 11 de Setembro, afirmou: “Quando os sacerdotes, por causa de grandes compromissos, permitem que o tempo para estar com o Senhor se reduza cada vez mais, perdem a força interior que os sustenta, apesar da sua actividade heróica. Aquilo que fazem torna-se um activismo vazio”.

Ainda na tarde de segunda-feira, Bento XVI, voltou à sua aldeia natal, Marktl-am-Inn, que visitou pela primeira vez após a sua eleição como Papa. Muitos dos que conviveram e conheceram Joseph Ratzinger estavam à beira da estrada, para aplaudi-lo, quando chegou para visitar a igreja paroquial de Saint-Oswald, onde foi baptizado a 16 de Abril de 1927. Numa breve visita de meia hora, o Papa passou diante da casa onde nasceu, mas não entrou. A habitação foi, entretanto, vendida por um particular a uma instituição religiosa, que pretende fazer dela um Museu.

O dia de hoje é considerado de “programa particular do Santo Padre”. Não há discursos. Bento XV visita o seu irmão, Pe Georg, em Regensburg, e o Cemitério de Ziegetzdorf. Amanhã, 14, Bento XV encontra-se com padres e diáconos em Freising. O último discurso será ao final da manhã, em Munique, antes de regressar de avião a Roma.