Jornadas Nacionais de Pediatria Nas XXXIV Jornadas Nacionais de Pediatria, que decorreram em Aveiro, organizadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, foram apresentados os resultados de um inquérito efectuado aos nove hospitais do distrito de Aveiro.
Destes, o Hospital de S. João da Madeira é o único que não possui Serviço de Pediatria. O Hospital S. Sebastião (Santa Maria da Feira) é o que possui mais médicos pediatras (15) e mais camas para internamento de crianças com menos de 14 anos de idade (28). O Hospital Infante D. Pedro (Aveiro) possui 12 médicos e 18 camas. Os hospitais de Águeda e de Ovar também possuem internamento infantil, respectivamente com 14 e 12 camas. Estes hospitais também dispõem de urgência pediátrica.
O serviço de maternidade do Hospital de Aveiro possui três incubadoras e oito berços. No ano passado, foram realizados 1.595 partos. No serviço de urgência pediátrica, entre as 8 e as 20 horas, a triagem é feita por dois pediatras. No entanto, também foi referido que o hospital aveirense necessita de mais médicos pediatras, já que, na maioria das noites, o serviço de urgências dispõe somente de um médico dessa especialidade.
Outro resultado do inquérito foi a necessidade de os hospitais criarem espaços próprios para internamento de adolescentes.
O Centro de Saúde de Aveiro está a preparar um novo serviço, que deverá começar a funcionar no início de 2007, que consta de uma consulta domiciliária aos recém-nascidos, durante os seus primeiros oito dias de vida, de modo a despistar eventuais problemas de saúde. A primeira consulta deverá ocorrer nos 28 primeiros dias de vida, de acordo com o que está convencionado, mas os pediatras consideram que essa consulta deveria ser antecipada, e é isso mesmo que o Centro de Saúde de Aveiro pretende fazer com esse novo serviço de consulta domiciliária.
A forma como as urgências estão organizadas, nomeadamente as de pediatria, provoca, na opinião de Gonçalo Cordeiro Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), “a vinda de uma série de doentes que não são realmente emergentes, são doenças agudas que podem ser tratadas noutras estruturas de saúde, nomeadamente nos médicos de família”. Essa afluência de falsas urgências tem como consequência a “sobrecar-ga de trabalho nos hospitais”, os quais, como refere este pediatra, “sofrem de falta de recursos humanos”. Por isso, essa afluência é má “para a estrutura hospitalar, mas também para os pais que passam horas à espera de serem atendidos”.
O presidente da SPP defende a existência de “equipas capazes de estabilizar o doente pediátrico e transportá-lo em segurança para os hospitais centrais”. Mas, para isso, é preciso criar um serviço de transporte vocacionado para esse fim (uma espécie de ambulâncias pediátricas).
Com a falta de médicos pediatras, nomeadamente nos serviços hospitalares e nos centros de saúde, Gonçalo Cordeiro Ferreira realça que, não sendo possível haver um médico à porta de cada criança, “é imperioso que exista um médico assistente para cada criança, seja um médico pediatra ou médico de família, mas tem que ser responsabilizado pela assistência a essa criança”.
