O bispo e os jovens

Revisitar o Magistério Os acontecimentos eclesiais que dizem respeito e envolvem os Jovens sucedem-se, felizmente, com alguma frequência. Por estes dias mesmo, dois deles me provocam para voltar à exortação apostólica “Pastores do Rebanho”, precisamente no que toca à relação pastoral do Bispo com os Jovens.

“O Bispo, pastor e pai da comunidade cristã, dedicará um cuidado especial à evangelização e acompanhamento espiritual dos jovens. Um ministério de esperança não pode deixar de construir o futuro juntamente com aqueles aos quais está confiado o futuro, ou seja, os jovens. Como «sentinelas da manhã», os jovens esperam a aurora dum mundo novo.”

Esta, todos sabemos que é uma evidência: o futuro é dos jovens! Não significa que todos a saibamos equacionar pastoralmente, que saibamos viver os nossos ministérios em dinâmica de esperança, sobretudo quando, por um lado, vivemos num contexto de comunidades cristãs envelhecidas, desfasadas, exclusivas, mais do que inclusivas. Por outro lado, estamos integrados num mundo que dispersa os jovens, que os desintegra, roubando-lhes, muitas vezes, a oportunidade de serem essas “sentinelas da manhã”, os da primeira linha, os da mais generosas entrega…

Entretanto, na verdade, sem fazermos Igreja de jovens, não poderemos ter Igreja sem jovens. Este é um choque, que diria civilizacional: passarmos de uma Igreja de adultos a uma Igreja inclusiva de todas as idades e condições. Temos uma longa tradição de massificação, sem criatividade nem diversidades, que não é terreno fácil para uma Igreja de comunhão, também de gerações.

E aí está: ao Bispo cabe não só a tarefa desta proximidade e cuidado com os mais jovens, como a não menos esforçada de o fazer em comunhão.

A relação do Bispo, dos pastores, com os jovens, terá de ser de proximidade e impulso. “Possam os jovens, através duma relação pessoal com os seus pastores e formadores, sentir-se impelidos a crescer na caridade, sendo educados para uma vida generosa e aberta ao serviço dos outros, sobretudo pobres e doentes”.

Uma proximidade confidente, um teste-munho coerente de caridade são os ingredientes do êxito numa pastoral juvenil e vocacional! Ao Bispo cabe ir na frente, marcando sem equívocos o rumo de um tecido de relações verdadeiramente fraternais.

Querubim Silva