A empresa que trata das águas domésticas e industriais da região da Ria recebeu uma certificação, que significa que respeita padrões de qualidade e se compromete com as melhores práticas.
Desde Junho de 2006, a SIMRIA (Saneamento Integrado dos Municípios da Ria) é a primeira empresa portuguesa de saneamento com todos os processos certificados nas vertentes de qualidade, ambiente e segurança. Os padrões mais elevados que a certificação implica fazem com que a empresa tenha como horizonte a “liga dos campeões”, nas palavras de Sérgio Lopes, presidente do Conselho de Administração da SIMRIA.
Na ETAR (estação de Tratamento de Águas Residuais) de Cacia, na sexta-feira passada, Sérgio Lopes recebeu de José Leitão, secretário-geral da APCER (entidade certificadora), o certificado que significa que a “empresa adoptou um conjunto de boas práticas” e que, em virtude disso, “a qualidade ambiental melhorou”.
Por seu turno, José Leitão, reconhecendo que os organismos locais “aderem com mais facilidade [aos processos de certificação] do que os do poder central”, afirmou que “só uma empresa que repense constantemente os seus processos sabe o que pode melhorar”.
Retomando a metáfora futebolística, Pedro Serra Lopes, presidente das Águas de Portugal, notou que, “tal como um clube que sobe de divisão arranja novos sócios, [a SIMRIA] tem de conquistar novos utilizadores”. O presidente da empresa pública em que a SIMRIA está integrada referia-se aos municípios do Médio Vouga e de Cantanhede e principalmente às indústrias. Entre estas, refira-se que algumas “grandes clientes” já aderiram à SIMRIA, como as do pólo químico de Estarreja (responsáveis por um terço das águas que entram na ETAR de Cacia) e a Portucel (maior cliente individual).
Integram a SIMRIA, no sistema da Ria de Aveiro, os municípios de Ovar, Estarreja, Murtosa, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Ílhavo, Águeda, Oliveira do Bairro, Vagos e Mira. O Sistema da Barrinha de Esmoriz é constituído pelos municípios de Espinho e de Santa Maria da Feira (em integração). O sucesso do tratamento das águas depende igualmente da adesão dos cidadãos ao saneamento municipal. Muitas casas, apesar de terem a rede municipal na sua rua, ainda não estão ligadas.
De água negra a quase límpida
A SIMRIA, no Sistema da Ria, tem duas ETAR em funcionamento, uma em Cacia e outra em Ílhavo. Quando as águas entram na ETAR de Cacia, como em qualquer outra, estão literalmente negras. Lamas, gorduras, detritos domésticos e industriais, tudo contribui para um caldo negro e fétido. Numa primeira fase, extrai-se da água o que vem ao de cima (as gorduras) e o que vai ao fundo (as areias). A seguir, a água passa para um decantador (depósitos cilíndricos com mais de 30 metros de raio) onde são depositadas lamas. Daí, segue para o reactor biológico, onde as bactérias fazem o seu trabalho: “engordam” e multiplicam-se à custa do lixo que está na água. Para elas, trata-se, claro, de nutrientes saborosos. Por último, no decantador secundário, a água deixa os últimos detritos e fica pronta para ser laçada no Oceano Atlântico, 3 km ao largo de S. Jacinto. No final do processo tem uma cor ligeiramente amarelecida, mas já não causa danos ambientais.
Paralelamente ao tratamento das águas, há uma outra linha de tratamento das lamas. O destino final destas, depois de inclusive terem produzido o biogás que gera alguma da electricidade usada da ETAR, é o aterro sanitário.
16 000
metros cúbicos de água que entram, por dia, na ETAR de Cacia. Os efluentes provêm de Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro (parte), Estarreja, Murtosa, Oliveira do Bairro e Ovar. Por segundo, equivale a 185 litros.
15
toneladas de lamas que, por dia, são separadas das águas.
13,4
milhões de euros. Montante do investimento na ETAR de Cacia, comparticipado em 85% pelo Fundo de Coesão.
272 000
habitantes que a ETAR de Cacia espera servir em 2018 e para os quais está dimensionada. Prevê-se que estes habitantes gerem um caudal médio de 48 mil metros cúbicos por dia (contra os actuais 16 mil). Esta ETAR está preparada para crescer de forma a servir 333 mil habitantes em 2038.
