Um “grupo de cidadãos descontentes” pretende levar o governo a recuar na introdução de portagens nas Scut (auto-estradas sem custos para o utilizador) do distrito de Aveiro. O grupo intitula-se “Comissão de Utentes A17 e A29 sem portagens” e tem a correr um abaixo assinado na Internet (em http://a17ea26semportagens.blogspot.com). Para “já, somos apenas 10 ou 12 pessoas e não resolvemos o pro-blema, mas alguém tem de tomar a iniciativa e esperamos que isto seja como uma bola de neve, com cada vez mais aderentes”, disse Miguel Bento, na apresentação da Comissão, no passado dia 8.
A comissão aponta cinco razões contra as portagens: 1) Não há alternativas, pois a Estrada Nacional 109, “que já teve em alguns momentos o pomposo nome de IC1, não é mais do que uma grande estrada municipal (…), onde se podem encontrar escolas, centros de saúde, lares ou pavilhões desportivos, jardins (…), feiras e mercados”. 2) A A29 (entre Gaia e Estarreja) e a A17 (de Aveiro a Mira), gratuitas, são necessárias para as empresas do distrito, “em grandes dificuldades”. “Quando se fala tanto de competitividade, o que é imperioso é dar mais condições ás empresas para escoar os seus produtos sem novos custos!” 3) Não há transportes públicos e o carro é a única possibilidade para quem quer ir de “Aveiro para a Feira, de Estarreja para Ílhavo, de Vagos para Ovar”. 4) A segurança das populações está em causa. Reencaminhar transportes pesados para a 109 significaria “regressar aos tempos da grande sinistralidade nesta via”. 5) As portagens seriam um sobrecusto para as populações, um “quase novo imposto”. “Quem precisasse de se deslocar de Aveiro a Ovar e volta, todos os dias úteis do mês, veria a sua factura aumentada em mais de 100 euros mensais”.
A Comissão considera que “não interessa a forma como o governo desenvolveu os estudos” que levaram ao anúncio das portagens e afirma-se indignada. “Não gostamos de ser enganados”, disse um dos seus membros. De momento, a Comissão não tem nenhuma acção planeada, para além da recolha on-line de assinaturas, mas não descarta a possibilidade de tomar outras iniciativas, a começar pelas que mostrem que não há alternativas viáveis às Scut A17/A29.
