D. António Francisco dos Santos presidiu à Eucaristia do primeiro dia do ano, Dia Mundial da Paz, na Sé de Aveiro.
“Construir a paz, ser pacífico segundo as bem-aventuranças, não nos permite silenciar a voz da vida, o clamor dos frágeis ou o olhar suplicante dos condenados, nem nos deixa alheios às lágrimas dos que sofrem, ao abandono dos esquecidos e à tristeza dos ignorados e excluídos da nossa sociedade”, disse D. António Francisco dos Santos, na homilia da Missa do Dia Mundial da Paz, a que presidiu, no dia 1 de Janeiro, na Sé de Aveiro.
Secundando as palavras de Bento XVI, que para este dia escreveu a mensagem “A pessoa humana, coração da paz”, o Bispo de Aveiro sublinhou que “urge colocar a pessoa humana, a sua dignidade essencial, a sua vocação e a sua missão no centro de um humanismo integral, onde a construção e a promoção da paz sejam o necessário caminho que prepara e abre um futuro sereno para as novas gerações”.
D. António Francisco realçou que, se “ao longo dos séculos, a paz teve sempre uma sustentabilidade frágil e recebeu ameaças permanentes”, hoje, esta “endémica fragilidade” é reforçada por uma “certa indiferença face àquilo que constitui a verdadeira natureza do homem, desde a sua concepção até à sua morte natural”.
No início do novo ano, o Bispo de Aveiro notou que 2007 vai oferecer “múltiplas, importantes e indiclináveis oportunidades de colocar a paz, a esperança e o próprio destino e futuro da família humana no seu coração natural e insubstituível, que é a pessoa humana” e que “a Igreja não se cansará nunca de ser promotora da paz, o que implica necessariamente ser defensora corajosa e determinada da vida, da dignidade, da transcendência e dos valores inalienáveis de pessoa humana”.
Sugestões para a paz
Alertando para a necessidade de criatividade nos caminhos pedagógicos da Igreja (catequeses, programação pastoral, etc.) e do testemunho dos cristãos, D. António Francisco deixou algumas sugestões para fazer crescer a “árvore da paz”, que são também “dom abençoado e insubstituível que a Igreja oferece à humanidade”: coragem na defesa da vida; lucidez na mediação de conflitos; percorrer caminho para aproximar desavindos; disponibilidade para acolher quem nos procura; capacidade para perdoar sem medida nem cálculos; exercício da compaixão e da misericórdia; gosto e alegria nas bem-aventuranças; ânimo evangelizador e generosidade e fidelidade dos sacerdotes, diáconos e consagrados, assim como das famílias cristãs, em que se reflecte o rosto de um amor feliz e fecundo.
Excertos da Homilia do Dia Mundial da Paz
“Desejo vivamente que este espírito e estes sentimentos de bondade, de esperança, de comunhão e de paz [já presente no dia da entrada do Bispo de Aveiro, 8 de Dezembro] se transforme em motivações pastorais e em convicções de fé de todas as comunidades cristãs e dos fiéis da Diocese de Aveiro, para que sejamos uma igreja, âncora de esperança e de comunhão e farol de luz, de fraternidade e de paz para crentes e não crentes”.
“No oceano imenso da necessidade e da urgência de paz, quer a Igreja de Aveiro respondendo ao apelos do Santo Padre nesta Mensagem, ‘fazer-se ao largo’, com Deus ao leme, para que cada homem e mulher, cada idoso, jovem ou criança seja coração da paz e cada família, cada mãe e cada pai sejam sempre berço da vida, acolhida com generosidade tantas vezes heróica e com respeito sempre sagrado”.
