O bispo e o ecumenismo

Revisitar o Magistério Voltamos, hoje, ao ministério e dever pastoral do Bispo, a propósito da celebração do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos. A exortação apostólica Pastores Gregis não deixa de enunciar alguns parágrafos a este respeito.

A oração do Senhor Jesus ao Pai pela uni-dade dos Seus discípulos – “Que todos sejam um…”, Jo.17,21 – fundamenta o dever apostólico concreto, cujo êxito sabemos não resultar dos nossos esforços humanos, mas antes ser um dom da Trindade à Igreja. O que, todavia, não dispensa o empenhamento intenso dos cristãos, sobretudo na oração, “correspondendo às preces e intentos do Senhor e à Sua oblação na Cruz para trazer à unidade os filhos dispersos”… O diálogo ecuménico é um compromisso irreversível! “É preciso, pois, perseverar no caminho do diálogo da verdade e do amor”. (PG 64)

E muitos dos padres sinodais “lembraram a vocação específica que cada Bispo tem de promover na própria diocese este diálogo e de o realizar in veritate et caritate (cf. Ef 4, 15). Com efeito, o escândalo da divisão entre os cristãos é sentido por todos como um sinal contrário à esperança cristã. Entre as formas concretas para esta promoção do diálogo ecuménico conta-se um melhor conhecimento recíproco entre a Igreja Católica e as outras Igrejas e Comunidades eclesiais que não estão em plena comunhão com ela, encontros e iniciativas apropriados, e sobretudo o testemunho da caridade. Na realidade, existe um ecumenismo da vida quotidiana, feito de acolhimento, escuta e colaboração recíprocos, que possui uma eficácia singular” (PG 64).

O II Sínodo de Aveiro tomava as palavras do Decreto sobre o Ecumenismo precisamente para afirmar: “A solicitude na restauração da união vale para toda a Igreja, tanto para os fiéis como para os pastores. Afecta cada um em particular, de acordo com a sua capacidade, quer na vida cristã quotidiana, quer nas investigações teológicas e históricas” (UR 5).

É, pois, uma tarefa de toda a Igreja. “Uma Igreja católica particular ou várias Igrejas particulares, actuando estreitamente em conjunto, podem estar em posição muito favorável para contactar a este nível com outras Igrejas ou comunidades eclesiais” (Directório para a aplicação dos princípios e normas para o Ecumenismo).

A Igreja diocesana está mais próxima da realidade humana e crente que povoa a sua região. Ao Pastor cabe ir na frente, estimulando os fiéis à oração e ao encontro, promovendo o estudo, sobretudo entre os agentes pastorais, para que o conhecimento se torne acolhimento recíproco, para que o trabalho comum nas grandes causas se torne descoberta dos motivos de unidade.

Querubim Silva