Curso de salicultura para marnotos

Com 37 formandos Com 37 formandos, teve início o curso de “Salicultura tradicional de Aveiro”, numa iniciativa da Câmara Municipal de Aveiro. Pretende-se incentivar o aparecimento de jovens candidatos a marnotos.

A sessão de abertura do curso teve lugar no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, e foi presidida por Élio Maia, para quem “o município tem o dever de salvaguardar o salgado”.

O autarca recordou que o sal e as marinhas de Aveiro são parte integrante da história da cidade, e da região, já que o primeiro documento que se refere a Aveiro, vulgarmente designado por testamento de Mumadona Dias, datado de 29 de Janeiro de 959, refere a doação de marinhas existentes nesta região. O documento é também o primeiro, a nível nacional, que alude à exploração de sal em Portugal.

Élio Maia realçou que, em 2006, só dez marinhas estiveram activas na exploração de sal. Por isso, para revitalizar essa milenar actividade económica, é necessário, em sua opinião, aumentar o número de marnotos e encontrar mercados para o sal de Aveiro.

O curso conta com a participação de vários docentes da Universidade de Aveiro, tanto na qualidade de formadores como de formandos, facto que o vice-reitor, Fernando Rocha, justifica pelo interesse que o salgado tem para a instituição, tanto mais que esta também é proprietária de marinhas.

O presidente da Associação de Produtores e Marnotos da Ria de Aveiro, Estrela Esteves, afirmou que a associação, que será formalizada até ao final de Fevereiro, irá empenhar-se, conjuntamente com diversas entidades congéneres de países europeus, para que o sal marinho de exploração artesanal seja classificado como produto agro-alimentar, de modo a beneficiar de algumas medidas de apoio para o sector e também para que o sal de Aveiro tenha indicação de origem geográfica.

Para este dirigente associativo, o sal de Aveiro é de grande qualidade e muito benéfico para a saúde humana, devido ao iodo. O sal de espuma ou flor de sal é um produto com grande procura culinária em países como a França, pelo que pretende incentivar a produção desse tipo de sal também nas marinhas aveirenses.

A defesa dos muros das marinhas é outra preocupação da associação, que quer ter o apoio do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro e da Admi-nistração do Porto de Aveiro. A par disso, deverá avançar com a criação de uma força de sapadores, para actuar de imediato, sempre que surja uma ameaça de rombo num muro de marinha.