Aveiro assinalou “Mártires da Liberdade”

Com monumento e lançamento de livro O dia dos Mártires da Liberdade, 16 de Maio, foi assinalado com a reposição do Monumento à Liberdade e o lançamento do livro “Cabeças cortadas – Aveiro e a memória do 16 de Maio de 1828”, da autoria de Ana Clara Correia.

O presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Élio Maia, inaugurou o reposto, e também renovado, Monumento à Liberdade, que agora fica situado no separador central da Avenida Dr. Lourenço Peixinho, frente ao edifício sede da Assembleia Municipal de Aveiro (antiga Capitania), local que o autarca aveirense considera o mais indicado, por ficar defronte do órgão autárquico que é “o principal instrumento de liberdade da cidade”.

O monumento é uma simples “pedra” que, apesar disso, tem um forte simbolismo, motivo que levou o actual executivo municipal a repor o que há muito estava recolhido nos armazéns municipais.

Esta “pedra” foi a primeira de um verdadeiro Monumento à Liberdade, o qual nunca chegou a ser concretizado. Essa primeira pedra foi colocada no dia 17 de Maio de 1928, por ocasião da passagem do primeiro centenário da fracassada Revolução Liberal de 1828, que teve consequências trágicas para a maioria dos seus principais intervenientes. No entanto, a “pedra”, como vulgarmente era designada, acabou, ela própria, por adquirir o estatuto de monumento, principalmente após receber a inscrição “À Liberdade 16-5-1928 / 16-5-1974”. Entretanto, a “pedra” foi retirada do separador central da Avenida Dr. Lourenço Peixinho, à qual agora regressou, só que beneficiando de uma intervenção mecânica da autoria do escultor José Maria Lopes, que lhe acrescentou elementos metálicos.

Ana Clara Correia, no seu livro “Cabeças cortadas – Aveiro e a memória do 16 de Maio de 1828”, lançado publicamente na Biblioteca Municipal de Aveiro, relata não só os acontecimentos ocorridos no dia 16 de Maio de 1828, mas também os factos e causas que motivaram essa Revolução Liberal contra o absolutismo de D. Miguel, planeada e executada por alguns dos mais importantes aveirenses da época, e ainda os trágicos episódios consequentes, em que esses aveirenses acabaram por pagar com a própria vida a tentativa de repor a liberdade em Portugal, ficando para a história como os Mártires da Liberdade.

C.F.