Olho de Lince Tenho-as observado diariamente. E sempre as vejo como uma séria interpelação aos humanos. Não sei o que lhes vai na “alma”. Mas verifico o que resulta dos seus comportamentos.
Já não trazem – é verdade – meninos pendentes do seu bico, envoltos em suaves camas voadoras. Começam por encher o ninho de filhotes, garantindo que a espécie não só não se extingue, apesar de muitos factores ambientais adversos; pelo contrário, aumenta significativamente.
Depois, ficam ali de pé, dia e noite, velando pela ninhada, com o desvelo dos progenitores. Garantindo a alimentação necessária uns, cuidando outros a segurança, a higiene e o “conforto”, indiferentes ao movimento que lhes passa poucos metros por baixo.
Não sei se algumas crianças não terão inveja! É bem provável que muitas gostassem de ser “filhotes-cegonhas” por uma noite e um dia, para experimentarem a dedicação de quem lhes deu o ser… E alguns autarcas teriam gosto em propor às cegonhas o repovoamento dos seus territórios, se de humanos se tratasse!…
Q.S.
