Poço de Jacob – 12 Impressiona sempre ler João Paulo II. No “Tríptico romano”, que ele escreveu no conclave que o elegeria Papa, diz que, para sabermos onde está a fonte de um rio, devemos remar contra a maré.
A vida espiritual não é para gente fraca ou comodista. Não é acumular sensações agradáveis em lugares que me façam esquecer a minha casa, o meu emprego e o meu trabalho. Ninguém foge de si mesmo. Dizia um filósofo que, ainda que tentemos fugir com passeios, excursões, grandes semanas ditas de formação ou espirituais, por exemplo, a nostalgia está ali, por trás da tua porta, para te apanhar, quando entrares.
A vida espiritual implica a consciência do dom recebido (“a Água que Eu lhe der”), e comunicado (“fonte que jorra”) e a primeira coisa que surge em nós é a consciência de nós mesmos. Diante de Deus eu vejo-me e revejo-me. Tem de ser inevitável, senão vivemos na ilusão, utopia ou fanatismo. Se algo tem de mudar nos outros, no mundo e na Igreja, onde vejo sempre tanto mal caminho andado, então eu é que tenho de mudar. Por isso, a Vida espiritual é auto-educação que parte do conhecimento de si mesmo como dom de Deus, para ser uma única coisa: Santo.
Há quem diga que não há, verdadeiramente falando, vocação para isto ou aquilo, para carmelita, jesuíta, padre, casado ou freira. A minha verdadeira vocação é ser santo.
Tudo o mais parte daqui. Para tal, Deus quer trabalhar no específico da minha pessoa, com tudo o que a envolve, nas circunstâncias que me fazem ser assim e não de outro modo. Deus não esquece o homem. Deus quer servir-se de nós para se revelar. O homem espiritual vive dessa certeza, em humildade. O seu coração abre-se para receber o Dom e para partilhar o dom. Nisso, então, consiste a nossa alegria… Deixemo-nos fazer…
P.e Víctor Espadilha
