A ASAE, a solidariedade e o bom senso

Uma pedrada por semana Sou dos que reconhecem a importância de um serviço que defenda os cidadãos e não deixe que os mesmos sejam prejudicados pelo que comem, compram e vestem. Será isso a ASAE. Já devemos a este serviço resultados de trabalho bem feito e com mérito reconhecido. Porque, então, tanta crítica mais que justificada? Porque não basta fazer o bem, mas é preciso fazê-lo bem feito. Porque não basta ser zeloso e cumpridor de leis, mas não esquecer a sua finalidade e como aplicá-las. Porque quem serve o público deve ter bom senso no contacto com as pessoas, ser educador e não meramente polícia à busca de transgressões que dêem rendimento ao Estado. Porque não podem os agentes da ASAE esquecer realidades fundamentais da sociedade e deixar agir no respeito pelas mesmas, ajudando a melhorar e não a desprezar e matar sementes de bem que nela existem.

Já tinha ficado perplexo com a notícia de um programa interno sobre multas a aplicar e os estabelecimentos a fechar. Agora fiquei ainda mais, quando li e soube de notícias sobre a actuação dos agentes de inspecção, junto de instituições de solidariedade social. Inconcebível! Não saberão estes senhores a natureza e a função destas instituições, o apoio necessário das populações, o valor do voluntariado social, o sentido da boa administração dos produtos recolhidos, dada a exiguidade económica de muitas instituições e a população pobre que servem e apoiam?

É possível que nem tudo esteja totalmente bem, mas ensine-se e reveja-se, não se ultraje quem trabalha e precisa, destruindo alimentos bons, só porque as arcas que os guardam não correspondem aos preceitos das normas europeias, ou seja, dos países ricos. Por amor de Deus!

O Estado criou estes organismos para ajudar o orçamento ou para servir a população?

António Marcelino