À espera do nada

Ponta de Lança Enfrentamos um dilema perante os acontecimentos do nosso tempo, qual o melhor lado da barricada para participar no escoramento de uma civilização e um país, em consequência, que se desmoronam?!

A situação está de tal maneira confusa que, algumas vezes, chega a ser difícil o discernimento sobre os factos, a fundamentação e coerência. Como nos velhos regimes decrépitos, o “nevoeiro”, a intolerância, a falta de verdade em espiral negativo não abonam muito sobre o futuro. Porém, há futuro; todos esperamos que haja futuro, não será tão abundante como o sonhado, o prometido na última década de XX mas, enquanto houver vida e mesmo depois desta, isso mesmo será o nosso legado ao futuro! Será, porventura, uma civilização de valores mais a sul e a oriente, sinal do que não conseguimos dimensionar com justiça social e nivelamento das desigualdades.

A civilização que agora caminha para o colapso terá tido três eras, a do engelho, a da arte, a da ganância! De mesma maneira que todas as outras, a falta de solidariedade e implicação disso nas rivalidades extremas, mesmo dentro de muros, quebraram tudo o que garantiria a segurança do coletivo, isto é, a comunidade. Agora, já estamos juntos mas todos uns contra os outros.

E voltando ao início, qual os partidos, o lado da barricada é que está certo? Os Governos? As Organizações? As Instituições? As pessoas? Já ninguém tem paciência para ouvir! Portanto, perderam força os valores (sobretudo da solidariedade) e dos argumentos do Verbo e ganharam inflexibilidade musculada, agressividade, o vazio, a ausência de tudo. E quem não tem nada já não tem nada a perder.

À espera do nada, não dá grande esperança, sinal de crer, mas galvaniza para o absurdo. Parece que é aí que estamos na Era da Ganância, no período do absurdo! E a culpa é de nós todos, dos que enganaram e dos que se deixaram enganar; dos que acreditaram e dos que perderam a crença; da multidão dos aflitos e do tropel elitista que julga vencidos os que lutam por dignidade, pão, pequenas gotas de vida.

Como é possível não ver…