O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, lamentou que a Europa do terceiro milénio troque os seus “símbolos mais queridos” pelas “abóboras” do Halloween.
O número dois do Vaticano comentou assim a decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem, emitida no dia 3 de Novembro, que define a presença do crucifixo nas escolas como uma violação da liberdade religiosa dos alunos e como contrária ao direito dos pais em educarem os filhos segundo as suas convicções.
O Cardeal Bertone considera tratar-se de uma “verdadeira perda”.
“Devemos procurar conservar, com todas as nossas forças, os sinais da nossa fé, para quem crê e para quem não crê”, concluiu.
Após ter manifestado o seu apreço pela iniciativa do Governo italiano, que anunciou recurso contra a decisão, o Secretário de Estado do Vaticano sublinhou que o crucifixo é “símbolo do amor universal, não de exclusão, mas de acolhimento”.
“Pergunto-me se esta sentença é sinal de razoabilidade ou não”, declarou.
Cristianismo e construção europeia
O caso sobre o qual o Tribunal de Estrasburgo se pronunciou foi apresentado por uma cidadã italiana de origem finlandesa, Soile Lautsi, que em 2002 tinha pedido à escola estatal Vittorino da Feltre, de Albano Terme (Pádua), na qual estudavam os seus dois filhos, que retirasse os crucifixos das salas.
Segundo o “Osservatore Romano”, jornal do Vaticano, “a decisão dos juízes de Estrasburgo parece inspirada numa ideia de laicidade do Estado que leva a marginalizar o contributo das religiões na vida pública”.
O porta-voz do Vaticano, P.e Lombardi, disse ser surpreendente que um tribunal europeu interviesse “com tanto peso numa matéria tão profundamente ligada à identidade histórica, cultural e espiritual do povo italiano”. Considerando que “a religião oferece um belíssimo contributo para a formação e crescimento moral das pessoas e é um componente essencial da civilização [europeia]”, o responsável pela informação do Vaticano lamentou: “Por este caminho, a pessoa não se sente atraída a amar e a partilhar profundamente esta ideia europeia que nós, como católicos italianos, apoiamos fortemente desde a sua origem”. Para o P.e Lombardi, está em causa a capacidade de “reconhecer o papel do cristianismo na formação da identidade europeia, que foi e continua a ser essencial”.
J.P.F. / Ecclesia
