Temos vindo a percorrer a Diocese, num esforço de proporcionar aos cristãos conscientes uma reflexão concertada sobre a Família e os seus problemas na época em que vivemos, o contributo específico e a necessidade de convergência do esforço dos agentes educativos, de forma que a tarefa originária da mesma Família, em matéria de educação, seja levada a cabo com êxito.
As carências e urgências são equacionadas. Mas sente-se um alheamento de uma grande parte dos educadores, o desinteresse de alguns dos primeiros beneficiários deste esforço formativo. Bem sabemos que, “se não houver frutos, fica a beleza das flores; se não houver flores, fica a sombra das folhas; se não houver folhas, fica a intenção da semente”. Por isso, continuamos a semear. Mas preocupa esta incoerência, principalmente dos que se dizem cristãos.
Em contraste, enche-nos o coração e o espírito encontrar Famílias paradigmáticas. Isto é, Pais que se assumem como tal, que desenvolvem um processo educativo de autêntico diálogo e proximidade, de verdadeira intimidade com os Filhos, sem deixar de ter padrões de valores irrenunciáveis, de os viver e de os comunicar, num profundo clima de amor, que preserva a exigência sem tolher a compreensão e a familiaridade.
Há princípios que são alicerces indispensáveis. A começar pela coerência entre o que se vive e o que se ensina; a continuar pela persistência e concertação conjugal nas metas a propor; passando pela altura da fasquia e pela consciência de que a qualidade nos coloca em dissonância com os hábitos gerais de hoje; passando também pelo reconhecimento da necessidade de dar as mãos a outros que têm as mesmas preocupações. E sempre – sempre! – uma elevação espiritual explícita em todo este processo.
O resultado não se faz esperar. A pouco e pouco, os Filhos vão subindo a fasquia das suas “competências”, apreciando o amor exigente e sacrificado dos Pais, a urgência de remar contra a maré, o benefício deste clima de esforço. E, sobretudo, vão-se abrindo ao horizonte de preocupação pelos outros, que deixam de ser os paradigmas desejados, para serem amigos a contagiar.
Não se trata de desenhar o futuro dos Filhos segundo os sonhos dos Pais. Trata-se de comunicar, com entusiasmo e convicção, princípios que se consideram básicos para que desenhem eles próprios o seu futuro, com verdadeira autonomia e liberdade, em vez de estropiados pelas modas ou oportunismos dos que se demitem e procuram substitutos fáceis de responsabilidades alienadas.
