Lembram-se do “Projecto”?

Memória CV – Há 25 anos Quem está hoje na casa dos 30-40 anos, se nos anos 80 do século passado fez parte de algum grupo de jovens cristãos, dificilmente não terá contactado com o “Projecto”, aquele livro vermelho e preto, que na capa tinha um jovem a dar uma passada… Foi lançado há 25 anos, no final de Novembro de 1981, revelando-se uma iniciativa inovadora, a nível nacional, num tempo em que a catequese juvenil se via privada de recursos pedagógicos.

Diz o Correio do Vouga de 27-11-1981: “Encontra-se à disposição dos párocos, grupos de jovens e outras comunidades cristãs, o catecismo do ano zero da catequese de Jovens. Com ele, pretende lançar-se nas paróquias a catequese permanente dos jovens cristãos. Este guião aborda vinte e um temas, que vão desde a formação da consciência e da personalidade até ao compromisso temporal do leigo, passando pela análise crítica do tempo em que vivemos (consumismo, massificação, progresso técnico, hedonismo, etc.), pela reflexão sobre o trabalho (escolar, operário e rural), sobre a família (namoro, matrimónio, questões actuais, conflitos, um novo projecto de família), e sobre a vocação (no sentido geral como serviço à comunidade e no sentido particular de cada uma das vocações de consagração). O «Projecto» é a provado pela Comissão Episcopal da Educação cristã e pode ser requisitado ao SDECJ [Secretariado Diocesano da Educação Cristã da Juventude, como então se chamava o secretariado da pastoral juvenil], Rua José Estêvão, 50 (…)”. Era director do SDECJ o Pe José Sardo Fidalgo, actualmente na paróquia da Gafanha da Nazaré.

O “Projecto” foi lançado numa jornada em Lombomeão (Vagos), no Centro de Acolhimento de Jovens Pedras Vivas, sob presidência de D. Manuel de Almeida Trindade. Desse encontro saiu um comunicado juvenil, em jeito de manifesto, que afirmava num dos pontos: “Sentimos a falta da nossa participação nas estruturas sociais; empenhamo-nos, por isso, na criação de grupos de militantes cristãos nas escolas onde estudamos e nas fábricas onde trabalhamos.”

D. António Marcelino, já na diocese de Aveiro como coadjutor, escreveu uma “mensagem aos jovens reunidos em Lombomeão”. Apenas um parágrafo da missiva: “Um jovem cristão isolado não pode fazer muito, mas muitos jovens cristãos unidos são capazes de desencadear a revolução do bem”.