Editorial Criatura nova em Cristo, o cristão não o é de verdade se vive essa condição a espaços intermitentes, isto é, se deixa transparecer essa condição apenas em momentos soltos, eclipsando a mesma condição quando convém, quer seja por respeito humano, quer seja pela convicção de que “é preciso fazer descansar” a prática cristã.
Estamos de partida para férias. Muitos têm essa possibilidade, que é um bem, sem dúvida alguma, desejável para todos. Mas não poucos têm ideias erradas sobre como viver esse tempo precioso.
Tempo de repouso, as férias são uma excelente ocasião de mudar de actividade, de fazer aquilo que a pressão das ocupações habituais nos não deixa realizar, de suprir lacunas na nossa formação, no nosso enriquecimento cultural, no nosso amadurecimento espiritual.
Férias, para muitos, só pode significar não fazer nada ou esgotar-se furiosamente em actividades lúdicas, acabando esses dias de repouso em estado de maior cansaço. Não ter horários, não ter programa, não ter ritmo de vida!… Deixando, assim, completamente desperdiçado um tempo que não volta. Repouso é tempo de serenidade e contemplação!
A fé não vai de férias! Recriar formas de desenvolver a nossa profundidade espiritual, com uma boa leitura, com tempo mais longo e sossegado de oração, com a participação mais frequente na Eucaristia, com diálogo sereno sobre as questões novas que se nos vão colocando, com a contemplação da Natureza, inclusive com a participação em alguns dias de formação.
Os campos de férias, de jovens, familiares, de movimentos, ou a simples associação de pessoas e famílias, com um projecto de revitalização cultural e espiritual, poderão ser um óptimo caminho para aproveitar esse dom que são os tempos de férias. “Parai e vede que Eu sou o Senhor” – diz o salmo.
Com mais tempo disponível, temos a melhor oportunidade de viver tranquilamente o encontro da Comunidade, seja ela qual for, de meditar longamente a Palavra que nos é oferecida, de apreciar e agradecer o dom da Eucaristia, de viver calmamente o encontro da Família, de visitar os Amigos ou Familiares que estão mais distantes no dia a dia, de cultivar o Homem com os momentos culturais, de irradiar a alegria com o divertimento sadio – viver em cheio o Domingo, dia do Senhor, da Eucaristia, da Família, do Homem, da Alegria!…
A fé não vai de férias! A fé tonifica-se nas férias, inspira as férias, exprime-se mais serena e profundamente nas férias, recobra energias para ser dinamismo íntimo nos longos períodos de entre férias! Dias santos, como lhe chamam os ingleses – holydays!
