Universidade de Aveiro colabora com Cabo Verde

Universidade de Aveiro e Câmara Municipal de Santa Cruz (Cabo Verde) assinaram protocolo que visa a formação de alunos e profissionais de Cabo Verde

A Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal de Santa Cruz, de Cabo Verde, assinaram um protocolo que visa a cooperação com estabelecimentos de ensino de Cabo Verde na formação pós-secundária, a identificação de áreas carenciadas e consequente formação de formadores, e a recepção de alunos oriundos do município de Santa Cruz na Universidade de Aveiro.

No acto de assinatura, no dia 16 de Junho, estiveram presentes Manuel Assunção, vice-reitor da UA, e Orlando Fernandes Lopes Sanches, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz.

Para o autarca cabo-verdiano, o protocolo significa que a UA “apoia Cabo Verde na procura do desenvolvimento” e exige do seu município “a selecção de pessoas com competência científica e comportamental para aproveitar ao máximo a formação”, quer em Aveiro, quer em Cabo Verde. Orlando Sanches considera que pode haver algum risco de não regresso dos alunos cabo-verdianos ao seu país, mas isso representa “um risco menor”, não só porque a grande maioria volta a Cabo Verde após a formação, mas principalmente porque a diáspora (1 milhão de cabo-verdianos espalhados pelo mundo para “apenas” 300 mil em Cabo Verde) mantém ligações fortes com o país de origem. Orlando Sanches considera mesmo que Portugal “deve aproveitar um pouco mais a cooperação com os países africanos de língua portuguesa e acolher a imigração qualificada de forma a esbater os choques culturais”.

Manuel Assunção referiu que a UA tem uma tradição de cooperação com Cabo Verde, de algum modo evidenciada na associação de alunos cabo-verdianos, com 110 elementos, e reserva vagas suficientes para acolher a procura cabo-verdiana, visto que, à luz do quadro legal, a UA pode administrar 20 por cento da vagas como entender (os restantes 80 por centro estão adstritos ao concurso nacional de acesso ao ensino superior). O vice-reitor considerou especialmente relevante a formação pós-secundária, que poderá exigir que docentes e técnicos da UA viajem até Cabo Verde. Manuel Assunção lembrou que o sucesso da formação pós-secundária do Programa Aveiro-Norte deve-se à “participação directa dos empresários” e à consonância com as necessidades do tecido empresarial. Tal modelo poderá ser seguido com Cabo Verde.

Câmara de Aveiro apoia

Os alunos que vierem estudar para Portugal ao abrigo do protocolo poderão usufruir de um subsídio da Câmara Municipal de Santa Cruz, bem como de algumas facilidades da parte da UA (redução de propinas, residência estudantil ou oferta de senhas para cantina).

A Câmara Municipal de Aveiro, representada na sessão por Vera Reis, do departamento das Relações Internacionais, apoia igualmente os estudantes cabo-verdianos, com subsídio de alimentação ou residências, visto que a cidade de Aveiro está geminada com Santa Cruz.

Este protocolo não é o primeiro que a câmara cabo-verdiana estabelece com instituições de ensino portuguesas. O Instituto Politécnico de Viana do Castelo vai formar educadores de infância e animadores sócio-juvenis para esta antiga colónia portuguesa, e um outro acordo deverá ser assinado em breve com o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.

A formação académica é um compromisso sério dos responsáveis políticos cabo-verdianos. 60 por centro dos jovens concluem o 12º ano – a mais alta taxa em toda a África. Agora Cabo Verde prossegue uma formação superior de qualidade e que responda às necessidades concretas do país.

J.P.F.