A idade avançou… o vigor espiritual não se desvaneceu

Todos nós, Igreja de Aveiro, temos que ver com o jubileu presbiteral de D. António Marcelino. Da sua ordenação decorre uma vida de entrega ao ministério, que veio a culminar com o serviço a esta Diocese como dedicado Pastor

Num momento tão marcante da sua vida pessoal, que toca aqueles que lhe estão confiados, é da mais elementar justiça com ele e por ele darmos graças ao Senhor.

Com estas linhas, exprimo o meu apreço pessoal pela sua presença pastoral benéfica entre nós, na minha vida, na vida das comunidades que, em seu nome sirvo, na vida de movimentos com os quais me cruzo e que têm marcas de D. António Marcelino. Nem sempre estive ou estou de acordo com tudo o que diz e que promove como agir pastoral. Mas tenho plena consciência de que esta pessoa, este padre, este bispo, tem sido um dom inesti-mável à Igreja, de que eu beneficio também em abundância.

A título de homenagem, gostaria de evocar dois acontecimentos em que fomos “cúmplices”, que não esquecerei nunca. O primeiro, corria o final dos anos setenta, em que os movimentos da Acção Católica estavam em profunda crise. Eu próprio sofria o desgaste de assistir um destes movimentos, a nível nacional e internacional. Cruzámo-nos, em plena esplanada do Santuário de Fátima. Não éramos confidentes, mas já nos conhecíamos, até porque D. António Marcelino, ao tempo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, cuidava da zona do Oeste, onde a Acção Católica Rural Jovem tinha expressão. Foram breves as palavras de ânimo que me dirigiu. Mas esclarecidas, duradoiras e bem tonificantes!

O outro episódio, privado, sucedeu em inícios de Outubro de oitenta e dois, no dia em que, na Casa Episcopal, dele me despedi a caminho dos estudos em Roma. Receoso diante de tudo o que seria novidade para mim – e D. António era o “culpado” mor de ser eu a abrir um ciclo de idas para Roma -, estimulou-me a abrir o coração ao optimismo. E traçou-me na fronte o sinal da cruz, não por ritual, mas por convicção, percebi eu. E valeu! Todos os dias, diante do mundo novo e aliciante, me senti escudado nesse sinal, aberto por ele aos dons do Espírito.

A idade avançou. Mas todos reconhecem que o vigor espiritual e intelectual de D. António Marcelino não se desvaneceu. A sua presença interpelante nas realidades do mundo redobrou de afirmação. Obrigado D. António! Que a sua pessoa e a sua palavra continuem, enquanto Deus quiser, a ser caminho para quantos o esperam.

P. Querubim Silva