A igreja diocesana (II)

Revisitar o Sínodo Diocesano Vivemos o Dia da Igreja Diocesana. O que se viu e ouviu, merece continuar a ser confrontado com quanto nos disse o II Sínodo Diocesano de Aveiro. Face à realidade que é a Diocese e ao objectivo pastoral global que ela reclama, essa caminhada comum enunciou algumas decisões, que continuam a incomodar.

1. Dado que a preocupação nestes tempos tem sido a de perceber que realidade habitamos, para nela melhor servirmos a iguaria da salvação, foi muito positivo verificar o esforço da maioria dos Arciprestados em trazer ao conhecimento de quantos o desejaram elementos demográficos, estruturas de saúde, de apoio social, desportivas, culturais e recreativas, actividades económicas…, ao fim e ao cabo, o tecido das nossas comunidades paroquiais.

2. “Provoque-se, pelos meios mais adequados, a abertura de todas as comunidades umas às outras” – diz o texto das decisões sinodais. Mesmo assim, foi preciso o apelo do senhor Bispo, para bastantes darem uma corrida pelas tendas de exposição, a reconhecer um pouco daquilo que nos configura como povo e região que a Igreja Diocesana serve. Entretanto, foi visível a ausência quase total de paróquias vizinhas, do mesmo arciprestado, até da mesma unidade pastoral. Se é verdade que o caminho se faz caminhando, a caminhada sinodal ainda vai no adro!

3. O apelo veemente do Bispo da Diocese foi no sentido de partir da essência da Igreja – Comunhão – para fazer dela a bandeira da Missão: não estamos no Mundo para outra coisa senão para estabelecer relações de profunda intimidade com Deus, e de unidade, cooperação e fraternidade entre todos, com a força de Deus. Apesar de muitos dos rostos serem familiares, caminhámos, seguramente muitos dos presentes, “solitários entre a gente”, isto é, sem experiência de que éramos a mesma família diocesana.

4. “Criem-se ou renovem-se, de acordo com as orientações da Igreja, as associações e os movimentos mais adequados para responder aos desafios do nosso tempo” – continua o texto sinodal. Foi criativa a apresentação dos arciprestados. Proporcionou a percepção de problemas marcantes e centrais. Mas não se ouviu nenhum grito de surpresa por qualquer proposta pastoral inovadora, que por lá estivesse a atrair as atenções. Vamos confiar no Espírito e continuar a tentar que elas apareçam.

5. Foram entregues as orientações pastorais para o próximo ano, que ainda não foi possível ler. Elas vêm, é certo, na sequência de um processo longo de leitura social nas paróquias e de auscultação de órgãos diocesanos de participação pastoral. O Sínodo não esqueceu que esse deve ser um instrumento de comunhão e empenho colectivo: “Elabore-se o plano diocesano de pastoral, de modo que ele seja um instrumento de COMUNHÃO e empenhe a todos nos objectivos da mesma MISSÃO”… É mais um desafio às nossas tendências para o “individualismo pastoral”.

Querubim Silva