À Luz da Palavra – XIII Domingo do Tempo Comum – Ano B O drama da vida e da morte constitui o tema principal da Liturgia da Palavra deste Domingo, realçado, nomeadamente, na primeira leitura e no evangelho. Este tema interessa-nos a todos, qualquer que seja a nossa posição diante dele, isto é, quer tenhamos fé e acreditemos na vida eterna, quer não acreditemos e digamos: tudo acaba aqui (na terra). Viver e viver em qualidade, é a grande aspiração de todo o ser humano. Aqueles que perderam o sentido da vida, ou nunca o encontraram, refugiam-se em diversificadas alienações, desde as de carácter religioso, como a magia, o ocultismo, o milagrismo, as superstições, até às que se prendem com uma vida devassa ou com a exaltação ou entorpecimento, provocados pelos múltiplos estupefacientes, para se esquecerem que existem, com esta ou aquela situação vital concreta.
A primeira leitura oferece-nos novos contributos à questão teológica da imortalidade dos justos; traz uma resposta às questões angustiadas de Job, ensinando que, perseguidas na terra, as pessoas virtuosas gozam de uma tranquilidade perfeita face a Deus e serão recompensadas no dia da Visita ou do Julgamento. Para o autor do livro da Sabedoria, a verdadeira morte não é física, mas de ordem espiritual. Não foi Deus que criou a morte, nem Ele se alegra com a perdição dos vivos; tudo o que nasce no mundo se destina ao bem. Mas a morte espiritual está já presente na vida dos ímpios e continua para além da sua morte terrena, pois que estes vivem sob o império do demónio, por quem entrou a morte no mundo.
Na terceira leitura, Marcos relata-nos dois episódios importantes: um sobre a morte e a revivescência de uma jovem, operada por Jesus, mediante a confissão de fé de seu pai; e outro sobre a qualidade de vida oferecida a uma certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos. Marcos refere que a mulher estava doente e ninguém a conseguia curar, antes piorava. Esta mulher, segundo a mentalidade do tempo, vivia em contínua impureza legal, não podia ir ao templo para a oração, nem sequer conviver com o seu marido. Era uma excluída! Envergonhada e às ocultas, a mulher toca na ponta do manto de Jesus. Este elogia, em alta voz, a fé da mulher, depois de a curar, denunciando, deste modo, aqueles que a votavam à exclusão. Jesus veio restaurar a bondade original de toda a criação e renovar a verdade e a justiça nos corações das pessoas, que, pelo mau uso da liberdade, caem no pecado. Cristo veio restituir ao ser humano a vida e a liberdade, vivendo no meio do povo para melhor ver, sentir e experimentar as suas angústias, dramas e alienações.
Na segunda leitura, Paulo apela aos cristãos de Corinto para que repartam os seus bens com os que os não têm, como Cristo que, sendo rico, se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza. Crês em Jesus Cristo? Crês na missão que Ele te confia? Cristo pede-te que integres, acolhas, compreendas, apoies e ajudes a viver os que, vivendo, se encontram mortos espiritualmente. Como os cristãos de Corinto, partilha o que és e tens. Sê rico em generosidade, ao serviço de alguém, que espera por ti!
Leituras do XIII Domingo do Tempo Comum: Sab 1,13-15; 2,23-24; Sl 30 (29); 2 Cor 8,7.9.13-15; Mc 5,21-43
Deolinda Serralheiro
