Criado no dia 25 de Março de 1987, o Centro Universitário Fé e Cultura completa no próximo domingo 25 anos P.e Virgílio Maia é, desde há dois anos, diretor do Centro Universitário Fé e Cultura.
Correio do Vouga – Como está hoje a pastoral universitária, cujo principal impulsionador, na Diocese de Aveiro, é o Centro Universitário Fé e Cultura?
Virgílio Maia – Por vezes, e já escrevi sobre isso, sinto-me como as pombas, que, numa largada, antes de apanharem o rumo, são umas voltas para se orientarem. Trabalhar na pastoral universitária é uma experiência nova, tanto para mim como para o Pedro Neto (diretor-adjunto do CUFC). Recebemos um património, mas a realidade é que não temos experiência e ainda estamos a apanhar a sensibilidade, a ter o contacto com as pessoas, num meio muito volátil como é o universitário, a arranjar uma linha condutora para o nosso trabalho – o que também acontece através da partilha com centros e serviços de outras dioceses.
Quais os pilares da ação do CUFC nesta altura?
Damos continuidade a pilares da pastoral dos anos anteriores. Temos, assim, a bênção dos finalistas, que neste momento já está a ser preparada – ainda há dias visitei o polo de Águeda, com a coordenadora da bênção, e fomos muito bem recebidos – , o acolhimento aos caloiros, que é algo a que queremos dar mais expansão, o voluntariado das explicações e das visitas no Hospital e na Misericórdia, o serviço eucarístico diário e semanal, a participação em algumas ações da própria UA (Universidade de Aveiro) e das associações, o “Natal com” e a “Páscoa com”, em que ajudamos universitários a passar com famílias de Aveiro estes tempos fortes…
Este ano criou-se um espaço de oração, “Pray with us” (“Reza connosco”), animado pelas Irmãs, à terça-feira, às 20h30. Começou por ser frequentado por convivas e jovens que conhecem as dinâmicas de Taizé. Estes contactaram os colegas e agora a capela está cheia, se é que isso significa algo.
Com que dificuldades e desafios se debate o CUFC atualmente?
Neste ano letivo, formamos uma equipa diretiva, com alunos e professores. Vamos reunindo, partilhando o que vamos fazendo. Alguns elementos assumem a coordenação de setores. Temos alguma dificuldade em arranjar líderes, devido à mobilidade do próprio meio estudantil. Os centros com mais experiência do que nós, de outras dioceses, passam pela mesma dificuldade. Esta mobilidade faz com que, para alguns, sejamos apenas um espaço em que as pessoas vêm servir-se e vão-se embora…
…No entanto, a proposta do CUFC continua a centrar-se na estabilidade, no equilíbrio e harmonia entre Fé e Cultura…
Sem dúvida. Devo referir que na proposta cultural têm valido muito as iniciativas do ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas), com o CUFC, nomeadamente as tertúlias. Mas interrogo-me frequentemente se não deveríamos chegar mais à Universidade e mesmo debater temáticas no campus, como se faz em algumas outras universidades. Há questões que surgem e não temos sabido tomar uma posição. Precisávamos como que de uma “tropa de elite” que no momento certo provocasse o diálogo, fizesse propostas, respondesse.
Sobre a harmonia fé-cultura, por vezes a questão nem se coloca. Passa ao lado. Os jovens são sensíveis, mesmos os que não têm fé ou dizem não ter, às interrogações sobre a ciência, o ser humano, o sentido da existência. Temos que falar mais nisso e tirar as “teias de aranhas” que muita gente ainda tem nos tempos que correm. Temos uma palavra tão bela, que é a de Jesus Cristo… A ligação da fé para a cultura e da cultura para a fé continua a ser a nossa missão.
