Subiu ao Céu para ficar mais connosco A liturgia deste domingo orienta-nos para a Ascensão do Senhor, momento em que Jesus proclama o poder que o Pai lhe deu na terra e no céu. Por esta proclamação, Jesus confirma, diante dos seus discípulos, que é, doravante, a autoridade máxima do novo povo, que está a nascer da sua Páscoa.
No evangelho, Jesus abre-nos à compreensão de que a sua Ascensão não significa uma ausência, mas uma plenitude. Ele continua presente e activo a animar o seu povo. “Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir o que vos mandei” – é o mandato que nos deixa. Este mandato dirige-se a todo o discípulo e discípula do Senhor, porque a tarefa primordial, face à recepção de qualquer sacramento, é a de ensinar todas as pessoas a cumprir os mandamentos do Senhor. A tarefa de evangelizar, levar ao aprofundamento da fé e iniciar na oração, incumbe a todo o cristão e cristã, sem distinção, pelo direito que lhe é dado por Jesus, que tem todo o poder no céu e na terra. Esta tarefa é sempre exercida em comunhão eclesial, uma vez que é ao bispo diocesano que está confiada a missão de fazer a unidade e de ordenar os carismas do povo de Deus.
A segunda leitura garante-nos que, apesar de não poder ser visto senão pelos olhos do coração, Jesus continua a ter poder sobre o seu povo e sobre cada discípulo e discípula, porque Deus Pai “tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas, como Ca-beça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos”. É a Ele que devemos a obediência máxima. É dEle que devemos escutar o mandato “ide”.
A primeira leitura narra o acontecimento da Ascensão e, particularmente, apela à tarefa de evangelizar o mundo. O cristão e a cristã não são pessoas alienadas das realidades do mundo, absortas numa estéril contemplação. São homens e mulheres, cujo coração está em Deus e cujas mãos estão metidas na massa para a transformar, segundo o projecto de Deus. Por isso, toda a Igreja se deve pôr à escuta do seu Senhor e, em comunhão, discernir os caminhos mais adequados para a missão, traçar objectivos, elaborar projectos e distribuir tarefas, de acordo com as competências específicas e os carismas próprios.
Jesus, ao partir, deixou-nos o Espírito Santo, para nos recordar o que Ele disse e fez e, sobretudo, o modo como conviveu com os seus discípulos e discípulas, distribuindo tarefas e sendo o elo de comunhão entre todos, como quem serve e não como dono, apesar de o Pai lhe ter dado todo o poder.
Leituras da Ascensão do Senhor: Act 1,1-11; Sl 47 (46); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20
Deolinda Serralheiro
