Colaboração dos Leitores É confrangedor o que se passa com grande parte das publicações que proliferam no nosso mercado. Os escaparates das livrarias e quiosques estão repletos de revistas que não primam pela seriedade.
O que podemos ler nessas publicações são escândalos e mais escândalos, quer de ordem económica, quer de ordem familiar, quer de ordem religiosa ou social.
De facto, o que é para estes jornais e revistas a notícia? Não é o bem, nem o bom, nem o correcto, mas sim o mal, o mau e o incorrecto. É difícil ler nestas revistas artigos positivos ou de conteúdo informativo sério. O que encontramos é a devassa da vida privada de cidadãos, que parece que até gostam de ser assim «notáveis».
É o fulano que deixou a terceira «namorada», depois da mulher legítima, e que agora já faz vida com uma quarta – não se sabe até quando, uma vez que estas figuras femininas são descartáveis, como os lenços de assoar: servem e deitam-se fora.
Mas já viram falar do mesmo modo de casais que são fiéis há anos? Só se for para relatar a pompa com que festejam os aniversários de casamento! Os outros, os fiéis anónimos, que a meu ver são, para já, em maior número que os adúlteros, morrem no anonimato e, se é conhecida a sua fidelidade, esta é motivo de chacota. Num jantar para festejar os 25 anos dos alunos de um curso só um, reparem que não é engano, só um, ainda estava com a mulher legítima, todos os outros já tinham partido para variadas experiências.
Se um empresário é fraudulento e não se importa de deixar ir a empresa à falência depois de se ter arranjado, deixando que os seus colaboradores fiquem em apuros – isso é notícia de caixa alta. Mas o empresário honesto que, com trabalho e inteligência, progride e tem sucesso não consta nas capas das revistas, a não ser para manifestar o sucesso e “insinuar” a desonestidade, até aí desconhecida por muitos e lançar assim a convicção de que sucesso e honestidade não se dão bem.
Se uma figura da Igreja, ou da sociedade, prevarica, o escândalo alimenta resmas de papel; mas aqueles que dedicam a sua vida, sem dar nas vistas e com fidelidade diária, não são notícia, ou melhor, são-no na medida que alimentam tantos títulos de revistas “fofoqueiras”.
Maria Fernanda Barroca
