Ao tomar conhecimento da morte prematura do Padre João Mónica, não me contive de emoção e saudade.
E a minha primeira reacção foi agarrar no carro, sair de Vagos, e ir até Calvão ao seu encontro.
Desabafei com pessoas amigas ainda incrédulas, pelo que tinha sucedido.
Corri quase todas as ruas do lugar à sua procura.
Passei à casa onde nasceu.
Passei pelo Colégio.
Só faltou ir à Ponte de Vagos, ali tão perto.
Junto à igreja, parei. Estava fechada. E não me contive.
Talvez o Padre Baptista me possa dizer o que aconteceu e onde se encontra.
Fui ter com ele, perfigurado no bronze que tão dignamente o Povo de Calvão o perpectuou para sempre cara a cara, o-lhos nos olhos, o Padre Baptista desabafou.
Meu caro Basílio, não procures mais. O Padre João está aqui ao meu lado, na casa de todos nós. Fui eu o primeiro a dar-lhe o grande abraço de boas-vindas e dizer-lhe obrigado por ter continuado, com tanto entusiasmo, amor e carinho a minha obra. Sejam dignos dela.
Guardando no meu coração o seu apelo, mais tranquilo, despedi-me do Padre Baptista e também do Padre João Mónica com um “Até Sempre”.
Para que fique perpectuada a memória do Padre João, meu companheiro de jornada em lides estudantis, no Seminário de Aveiro, publico uma foto inédita do nosso tempo de estudantes em que o futebol era rei.
Esta a equipa de futebol do seminário que, em Aveiro, fez história, tirada no “velhinho” campo de futebol do Beira-Mar.
O Padre João é o quarto na fila de baixo, ao meu lado (capitão da equipa) e ao lado de Urbano Ramos outro jovem de Calvão.
Mas a foto não fica por aqui. O Padre Manuel Carvalhais, outro jovem de Calvão, também lá está com o joelho no chão, a agradecer a Deus mais uma vitória.
E quem não conhece o Monsenhor Virgílio Resende, o terceiro da primeira fila ao lado do Padre Dr. Pinho Ferreira?
Bons tempos, que já não voltam.
Adeus, Padre João Mónica.
Basílio de Oliveira
