Apesar do tempo que dizemos não ter, se fizermos a experiência de parar um pouco, por muito pouco que seja, e abrirmos os olhos da alma facilmente constatamos que somos alguém com uma história, marcados por tantas coisas – algumas que facilmente vêm à tona da memória – mas outras há, tão escondidas estão, que só às vezes ou nunca mesmo nos aparecem no presente do hoje de cada um. Quem não recorda os princípios da vida vividos em berços dourados ou talvez não e sempre animados pela presença de uns pais; a sua escola e os professores, os encontros e desencontros de uma adolescência feita de guerras e de paz, de uma catequese à sombra de qualquer Igreja onde um padre distribuía formação e celebrava sacramentos entre visitas a estes ou àqueles… e nós fomos crescendo no meio dos amigos e do trabalho ou dos livros e a mulher ou o homem que somos foi desabrochando, como alunos de uma escola – outra – onde todas estas aprendizagens se juntavam e deram aquilo que somos hoje: somos, pois, um misto de muita coisa onde cada uma teve a sua quota-parte no todo que hoje transportamos. Depois deste pequeno exercício, facilmente entendemos as palavras que Jesus disse, já lá vão dois mil anos: “Não fostes que me escolhestes, fui eu que vos escolhi e vos destinei para irdes e dardes fruto…”
Que engraçado! Por detrás de tudo isto havia Alguém, às vezes, imperceptível, que nos convidou para a Sua escola – que nos amou primeiro – e foi desse diálogo entre Ele e a minha liberdade e o apoio de alguns outros que eu sou quem sou, dei no que dei e faço o que faço. Chamo a isso a minha vocação!
Embora nunca o tenha pensado, mas o que sou não o devo a mim mesmo mas a esse Alguém que me chama ao amor e é com amor que eu Lhe devo responder porque confio no Seu projecto de fidelidade e arrisco, por Ele, nem que seja a minha vida.
Vale a pena parar mais um pouco e deixar que as palavras que brotam no fundo de mim mesmo Lhe segredem um obrigado pelo padre que eu sou!
