Questões Sociais Com justiça, foi bastante noticiada, no início deste mês, a reunião dos líderes políticos dos 20 países que contribuem para mais de 80 por cento da produção mundial. Também justamente, muitos analistas consideraram positivos os resultados da reunião. Nela foram adoptadas, nomeadamente, as seguintes linhas de rumo: «restaurar o crédito, o crescimento e os empregos na economia; evitar os riscos no sistema financeiro; implementar princípios duros nas remunerações; evitar novas barreiras ao comércio e ao investimento; reafirmar os Objectivos do Milénio; garantir a sustentabilidade orçamental e a estabilidade dos preços». Para a concretização destas linhas de rumo, previu-se a disponibilização de montantes financeiros quase inimagináveis, destinados aos domínios financeiro, económico e social, sem ficarem esquecidos «os países mais pobres» nem os mais afectados pela crise financeira.
Outros analistas consideraram decepcionantes os resultados da reunião, por se limitarem a preservar as características do sistema capitalista; com efeito, se nada vier a ser feito em contrário, vão persistir as insuficiências de regulação e as grandes desigualdades entre ricos e pobres, dentro de cada país e no plano internacional. Esta crítica é tão pertinente como o apreço acima referido: a crítica releva os aspectos negativos da reunião do G20; e o apreço, os positivos. Neste quadro, embora sejam dignas de registo as referidas linhas de rumo, não existem motivos para qualquer tipo de triunfalismo.
Para se desbravarem as desejáveis soluções de fundo baseadas na justiça, torna-se imperioso descer a outro patamar de análise, tentando responder a duas questões básicas: Os líderes do G20 dispunham de poder para ir mais longe? Mesmo que dispusessem de tal poder, dispunham da clarificação de linhas de rumo alternativas ou complementares? – Adianto duas hipóteses de resposta: Os líderes do G20 têm um poder muito limitado – pelos eleitores, pelos contribuintes, pelos movimentos sociais, pelas opiniões públicas, pelas forças anti-democráticas, pelos grandes grupos de interesses, pela impossibilidade de controlo de muitos movimentos do mundo económico-financeiro e do mundo subterrâneo, onde pontifica o crime organizado…; por outro lado, não têm ao seu alcance linhas de rumo alternativas ou complementares, minimamente credíveis e consensuais. A imensa maioria dos centros de investigação e de opinião bem como os cidadãos em geral, incluindo o laicado católico, estão claramente em falta; deixam-se absorver pelas reivindicações, pela contestação e pelo sonho irrealista, menosprezando a concertação, a proposta e a influência sistemática em ordem às soluções necessárias.
