À Luz da Palavra – IV Domingo da Páscoa – Ano B Este domingo é assinalado pela noção de “dar a vida”, “servir com a vida”. Jesus narra-nos a história da sua vida, através da analogia do bom pastor. Como a narratologia é mais eloquente que o discurso, Jesus narra para melhor se fazer entender.
O evangelho conta a história de Jesus, enquanto Bom Pastor. Ele veio ao mundo para reunir todos os filhos de Israel, que “pareciam ovelhas sem pastor” e alimentá-los com a sua Palavra e o seu próprio corpo e sangue, e para entregar, livremente, a sua vida até à morte, como último reduto de salvação para estas ovelhas. Contudo, o Bom Pastor sabe que ainda há muita ovelha dispersa, enlodada, emaranhada no perigo que a espreita de todos os lados. Sabe que a sua missão de pastor, hoje, é para ser continuada por aqueles e aquelas que, como Ele, se dispõem a dar a sua vida pelas ovelhas. Jesus continua a olhar para o seu povo com paixão e tem pena deste povo que continua à deriva como ovelhas sem pastor. E interroga cada um e cada uma de nós: “Não queres tu também continuar a servir os teus irmãos e irmãs como Eu fiz?”. “Não queres tu também oferecer a tua vida, para que muitos tenham a minha vida em abundância?” Estes são os apelos à vocação de serviço na Igreja e a favor do mundo, que Jesus dirige aos jovens e aos menos jovens. Estamos a celebrar o dia das vocações de especial consagração, no ministério ordenado e na vida consagrada. Quem pode e quer escutar esta voz? Quem são os pais que despertam os seus filhos e filhas para a realidade vocacional de especial serviço? Quem são os cristãos e cristãs, os catequistas e os professores, que interpelam os mais jovens no sentido vocacional?
Surgiu uma nova religião – o paganismo –, que celebra a sua “liturgia” com feitiçarias e cultos satânicos, ouvi há dias num noticiário televisivo. E eu reflectia: quando não há verdadeiros pastores, esclarecidos, dedicados e serviçais, como o Bom Pastor, o povo cai nas piores aberrações, porque precisa de um Deus e de uma religião. Como é importante que também todos os cristãos e cristãs procurem esclarecer e aprofundar a sua fé e apoiem muitos outros na sua formação cristã! O povo tem falta de alimento substancial, o da Palavra e o da Eucaristia. Peçamos, pois, ao Bom Pastor que nos envie muitos bons pastores, para reunirem o rebanho, o alimentarem e o conduzirem à unidade, sob a chefia de Cristo ressuscitado.
Na primeira leitura, Pedro recorda-nos que Jesus é a “pedra angular”, que foi desprezada pela sua paixão e morte, mas que veio a tornar-se o fundamento sólido da Igreja. É só através dele que podemos ser salvos.
Na segunda leitura, João afirma-nos que o Bom Pastor quis fazer, de todas as suas ovelhas, filhos e filhas de Deus, para que se tornem semelhantes a Ele e, um dia, O contemplem na glória dos céus. Tal é o destino que Deus nos tem reservado, se nos colocarmos sob a condução do Bom Pastor.
Leituras do IV Domingo da Páscoa – Ano B: Act 4,8-12; Sl 118 (117); 1 Jo 3,1-2; Jo 10,11-18
Deolinda Serralheiro
