O Leitor pergunta – 1ª parte Ouvimos cada vez mais aquela frase: “Confesso-me a Deus”. Pessoalmente, aceito e confesso-me a um sacerdote. Mas não existe um certo valor na confissão a Deus? Como explicar a necessidade da confissão a um padre?
1.Mas não existe um certo valor na confissão a Deus?
Para as pessoas que têm fé no Deus de Jesus Cristo e se sentem chamadas à conversão e à santidade, estas não podem deixar de se reconhecerem pecadoras, olhando-se no espelho do Deus Santo e Perfeito no Amor e, por esse facto, de sentirem a premente necessidade de lhe pedirem perdão pelos seus pecados, reconhecendo o coração misericordioso de Deus, a fim de obterem com a graça do perdão um suplemento de energia espiritual para irem avançando nos caminhos da santidade. Pedir perdão a Deus ou confessar-se a Deus é uma necessidade humana, direi mesmo, um dever de todo o bom filho e filha de Deus. Quem não gosta e sente necessidade de se reconciliar com o seu pai e a sua mãe da terra, quando percebe que os ofendeu e deseja refazer o tecido do amor que os une? Do mesmo modo, confessar-se a Deus, nosso Pai/Mãe do céu, fonte de toda a paternidade e maternidade, é uma necessidade e uma exigência.
A Igreja aconselha-nos a fazer, diariamente, o nosso exame de consciência diante de Deus-Amor e a pedir perdão das nossas faltas, ao mesmo tempo que agradecemos os bens que Ele nos concedeu durante esse dia e nos comprometemos a colaborar mais com a sua graça. Do mesmo modo, somos aconselhados a rezar o Pai-nosso ao longo do dia, oração ensinada por Jesus, na qual, além de outras petições, pedimos ao Senhor que nos perdoe as nossas ofensas.
Ao entrarmos na igreja, temos, normalmente, a possibilidade de nos benzermos com a água benta, evocando o nosso baptismo, momento em que fomos totalmente revestidos da graça e da pureza de Deus. Durante a celebração da Eucaristia, são muitas as vezes em que fazemos actos penitenciais, pedindo a Deus perdão dos nossos pecados. Recordemos alguns desses momentos: Confissão inicial, Senhor tende piedade de nós, Pai-nosso, Cordeiro de Deus, Senhor, eu não sou digno. Estas e outras fórmulas idênticas de oração não são outra coisa que confessar-se a Deus, para alcançarmos o seu perdão e nos sentirmos revestidos de graça e de misericórdia.
Confessar a Deus as suas faltas ou os erros cometidos é, para além de um dever religioso, uma necessidade psicológica que cada pessoa tem, com o fim de se libertar do peso da sua consciência, do sentimento de culpa que, por vezes, atormenta até ao desespero final.
2. Como explicar a necessidade da confissão a um padre?
A Constituição dogmática sobre a Igreja (LG) afirma. “Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa feita e, ao mesmo tempo, reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão” (LG 11).
Deolinda Serralheiro
(Continua)
