A pessoa humana primeiro?

A morte traz, muitas vezes, consigo o justo juízo sobre o valor das pessoas, sobre-tudo quando a sua vida se caracteriza por uma simplicidade e discrição proeminentes. A Escritura Sagrada proclama felizes os pés que difundem a Paz, deixando antever que essa felicidade brota também de marcas firmes na passagem, todavia sem alaridos nem procla-mações altissonantes.

Foi assim que conheci D. Albino Cleto, que me não era estranho, mas que se me revelou desse modo desde o dia em que me acolheu no Secretariado Nacional da Educação Cristã, para seu colaborador mais próximo. E não se alterou a impressão inicial: proximidade, intimidade mesmo, espírito de acolhimento, diálogo franco, apoio ao trabalho… A sua entrada naquela casa era sempre uma lufada de ar fresco, um sorriso de estímulo, uma palavra de esperança e entusiasmo.

O seu empenho nas causas da educação cristã tinham sempre dois vectores decisivos, nas propostas e nas resoluções: o bem da pessoa humana e a fidelidade ao Evangelho, afinal coincidentes, uma vez que a Boa Nova não é para outra coisa senão para que a pessoa humana tenha vida e a tenha em abundância.

Recordo com particular saudade e admiração todo o seu sonho e apoio, por alturas da Expo 98, olhando a temática da água como uma excelente ocasião de colocar uma vez mais a pessoa humana no centro da história, numa profunda visão ecológica integral, de preservação da vida e da qualidade de vida, de salvaguarda de recursos para patamares dignos e adequados para todos os povos, numa comunicação universal que almejava a solidariedade cósmica.

Parte D. Albino para a Casa do Pai quando as nações, desconcertadas, procuram mais uma vez acertar o passo para preservação da vida no planeta. Notícia de última hora faz saber que a Santa Sé discorda do teor do documento em aprovação. E a razão é essencialmente esta: não está no centro das preocupações ambientais a pessoa humana.

A ecologia da vida humana e das instituições que a suportam e lhe conferem a dignidade que lhe é inerente é primeiro! Que importa a preservação do planeta para ser um deserto de humanidade, um mar de destroços humanos? A salvaguarda da qualidade do ambiente não é em função de si mesma! A Terra foi dada ao Homem para lhe servir de habitáculo e de sustentação apropriada. Que importa salvar este corpo que gravita no espaço, se lhe retirarmos o essencial, que é a preservação da vida humana condigna, a qual o justifica e lhe pode imprimir ritmos de desenvolvimento sustentável?

A pessoa humana primeiro!