Uma recordação elucidativa

Olhos na Rua Ainda estudante, regressava de Roma a Portugal. Fiz caminho pela Suíça. A paragem em Genebra permitia-me visitar a catedral de S. Francisco de Sales. Cheguei e vi que era agora uma igreja protestante. A lei canónica impedia-me de entrar; a vontade de conhecer empurrava-me para dentro. E ali estava eu, como o tolo na ponte, perplexo sobre o que fazer. Decidi entrar. Mas só fiquei tranquilo quando me confessei da minha desobediência… Estávamos em 1957. Não se sonhava ainda, com o concílio ecuménico, anunciado, inesperadamente, em 1959…

Era assim. Os protestantes eram inimigos. A história tinha-os conspurcado. Nada de relações que pudessem contagiar… Em casos como aquele em que me vi envolvido, se podia perceber o garrote interior, e como não era o Evangelho e “a liberdade com que Cristo nos libertou” que comandavam a vida. Nem das pessoas, nem das instituições.

Do lado dos não católicos também não faltavam ataques frequentes. Em todos os lados mandavam os preconceitos e os sentimentos desvirtuados…Em nome da mesma fé e com a Bíblia na mão…