Olho de Lince Todos sabemos como podem ser ambíguas as expressões da religiosidade popular. Mas é facto que há manifestações que envolvem muita gente e que, no coração de muitos, são manifestação transparente do acolhimento e veneração pelo transcendente.
Em tempo de laicismo feroz, o nosso povo continua a perfumar as suas ruas – os caminhos da sua vida! – com o cheiro a rosmaninho, a alecrim e erva doce. Teima em colorir de pétalas multicolores o asfalto negro do materialismo e da rotina quotidianos. Atreve-se mesmo a dobrar o joelho ou inclinar a cabeça, quando passa o Santíssimo ou a imagem da sua veneração, recusando esconder nas paredes do templo a fé que professa.
Não está tudo bem, nem coisa que se pareça, nesta simplicidade de praça pública; às vezes causa-nos mesmo grande preocupação. Mas uma coisa é certa: está aí uma afirmação de tenaz resistência aos iconoclastas do nosso tempo, insaciáveis de “sangue cultural ou crença religiosa” que atrapalhe as suas pretensões de “hegemonia pensante”.
Q.S.
