Considero imperativo de consciência erguer também – e mais uma vez – a minha frágil e insignificante voz, para me juntar ao coro dos que se sentem esmagados pela arrogância e prepotência do poder instituído, que teima em cumprir “programas” – os que lhe interessa, é claro! – mais do que em perceber as realidades quotidianas, para lhes dar resposta certa, fazendo rolar pelo caminho todas as cabeças dos que, da sua cor política ou não, ousam discordar.
É evidente que o respeito pelas pessoas é um índice de educação. Por todas, sejam elas primeiro-ministro, ministros ou varredores de rua. Todas merecem a mesma consideração, porque possuem a mesma dignidade! E quem dera que a todos fosse reconhecida! Mas estou com a comentadora política que diz: quem não tem estofo para aguentar uma crítica, para ouvir uma anedota, não serve para ministro!
E vamos lá a ver uma coisa. Será que somos todos uma cambada de imbecis, quando discordamos da política do governo em matéria de gestão das urgências de saúde? Será que somos todos de coeficiente intelectual reduzido, quando provamos que a “escola completa” não resolve o problema do insucesso escolar, antes o poderá agravar? Será que somos todos delinquentes de opinião pelo simples facto de querermos pensar e dar os nossos alvitres, sabendo nós que os célebres “pareces independentes” não passam muitas vezes de justificações solicitadas?
Ou teremos de voltar a inventar “zip-zips”, “visitas da Cornélia”…, para, rindo, castigarmos os “intelectuais” presunçosos, darmos as nossas alfinetadas nos poderosos, sem corrermos o risco de sermos eliminados da cena pública? Bem sei que o humor português já não é o que era. Mas tenho a certeza que ainda haverá por aí quem saiba cantar com novas letras e novas melodias o “senhor feliz e o senhor contente”, para fazer roer as unhas a quem faz de nós um rebanho de desmiolados.
Deixem de jogar no escuro, senhores da política: ponham as cartas na mesa, o jogo limpo, e acolham as pobres sugestões do povo que vos elegeu. Nem todo, certamente. Mas é hábito, quando tomais o lugar, dizerdes que sois – seja o que for! – de todos os portugueses. Então sede! Não mais de uns do que de outros. E para benefício de todos; não para favorecimento de uns e aniquilação de outros!
Um conselho, também para mim: o humor descongestiona, restaura as energias e devolve capacidades de trabalho!
