A propósito de um cesto de pêssegos

Memória CV – Há 50 anos Abre-se o Correio do Vouga de tempos passados e dá-se com páginas muito belas, como esta, da pena de D. João Evangelista, no dia 6 de Julho de 1957, quando decorria a campanha de ofertas para pagar o Seminário de Aveiro: “Pela designação ou nomenclatura das paróquias, a Diocese de Aveiro não pretende propriamente ser um pomar. Não seria efectivamente grande a variedade das suas espécies, se fôssemos a atender em absoluto aos nomes ou aos pronomes que as distinguem.

Há um pessegueiro para os lados de Sever do Vouga. Há avelãs na Bairrada. Carregam azeitonas, no Bairro e no Vouga, dois olivais. De macieiras também há uma amostra no Caramulo. Não vai mais longe que me dê agora conta – a riqueza das nossas frutas. Ah! Já me esquecia, também algures alegram os campos as negras amoras silvestres.

Salta-me agora à pena esta deliciosa botânica, porque acabo neste momento de receber, num açafate de verga, revestido de folhas de abóbora, cobertos de renda, rosados, frescos, maduros, a cheirar à sua essência, três formosíssimos pêssegos, do tal pessegueiro de que disse no princípio”.

Os três pêssegos são só uma amostra. A oferta de fruta rende mil escudos. No final da crónica, o Sr. Arcebispo conclui: “Se a Diocese não tem fundos, tem estes feudos, tem estes foros, a não ser que venha qualquer vento, suão ou nordeste, que queime a árvore e ponha fim aos seus frutos”.