A Ressurreição

Colaboração dos Leitores Não tenho a pretensão de dizer nada de novo sobre a ressurreição, mas tão só reafirmar e esclarecer o que diz a Igreja. Esclarecer, porque tenho lido e ouvido ultimamente muitas opiniões que, apesar de serem bem intencionadas, deixam os crentes confusos e, em vez de serem uma afirmação da ressurreição, são sim uma negação.

Acreditar que se podem encontrar os restos mortais de Jesus Cristo não é acreditar na ressurreição. Ou que Cristo ressuscitado é puro espírito também não é acreditar na ressurreição. Se assim fosse, o corpo desaparecido do sepulcro não teria sido transformado, mas sim destruído.

O catecismo da Igreja católica fala-nos de um “corpo espiritual”, o que não é o mesmo que puro espírito. É um corpo transformado, em que o seu princípio vital deixou de ser biológico e passou a ser espiritual, mas é um corpo, o chamado corpo glorioso. É a vivificação da humanidade morta de Jesus, que é assim chamada a um estado glorioso. Deste modo, a ressurreição de Jesus realiza-se verdadeiramente na história e é a razão do túmulo vazio e das diversas aparições de Jesus aos apóstolos e a muitos outros discípulos. Afirmar a historicidade da ressurreição de Jesus é acreditar na ressurreição. De outro modo, ela não teria sucedido e seria vã a nossa fé, como diz S. Paulo.

A respeito da ressurreição vêm a propósito as palavras de Santo Agostinho, que são também citadas pelo catecismo: “Não há ponto em que a fé cristã encontre mais contradição do que o da ressurreição da carne” (Santo Agostinho, Psal. 88,2). Mas, citemos o parágrafo 997 do Catecismo da Igreja Católica para atendermos ao que é exactamente a ressurreição: “Na morte, separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, enquanto a alma vai ao encontro de Deus, embora ficando na expectativa de reunir-se ao seu corpo glorificado. Deus, na sua omnipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos, unindo-os às nossas almas pela virtude da Ressurreição de Jesus.” Ora, é um “corpo autêntico e real”, como diz o catecismo, que “possui as propriedades novas dum corpo glorioso”.

Sem jamais ter necessidade de comer, este corpo, se o quiser, pode comer, como é o caso da participação na refeição com os seus discípulos, passagem esta sobre a qual eu não vejo necessidade de fazer qualquer exegese. Pois também Jesus o diz em S. Marcos 14, 25: “Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira até ao dia em que o beba, novo, no Reino de Deus.”

Em síntese, como é que os mortos ressuscitam “ultrapassa a nossa imaginação e o nosso entendimento; só na fé se torna acessível.” Mas devemos confiar na ressurreição da carne, uma carne que não é destruída mas transformada. Jesus está vivo, ressuscitou verdadeiramente!

António Nogueira