A revolução que falta

Bento XVI já disse que não iria escrever tantos documentos como João Paulo II, tanto mais que, diz o actual Papa, os documentos do seu predecessor são uma interpretação autêntica do II Concílio do Vaticano. Mas talvez Bento XVI escreva mais livros (terá escrito um nas férias que passou no Alpes italianos). E o primeiro aí está: “A revolução de Deus” – as doze intervenções durante a Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha, em Agosto passado.

O título do livro vem da imagem da “cisão nuclear que o ser humano leva no seu íntimo”, que partilhou com os jovens. “Esta explosão íntima do bem que vence o mal é a única que pode suscitar a cadeia de transformações que mudam e renovam verdadeiramente o mundo”, diz o Cardeal Camillo Ruini na Introdução. E acrescenta: “É esta a verdadeira revolução de que a humanidade, desde sempre, necessita e deseja; pelo contrário, as revoluções do século XX, cujo programa comum era não esperar mais a intervenção de Deus, mas tomar totalmente nas próprias maõs o destino do mundo, devia por força absolutizar o que é relativo”.

O que podemos, então, encon-trar neste livro? Primeiro, a mensagem de João Paulo II para a XX JMJ, “Viemos adorá-lo”. E, a seguir, seis textos dirigidos aos jovens (os da esplanada de Marienfeld, mas também na catedral de Colónia e aos seminaristas), dois de diálogo inter-religioso (na comunidade hebraica e no encontro com muçulmanos) e quatro de “diálogo ecuménico” (de-signação incorreta para incluir um encontro com repretentantes de outras igrejas, outro com os bispos alemães, a cerimónia de despedida e a audiência geral de balanço da viagem, já em Roma).

Com este livro podemos agora recordar ou, quem sabe, ouvir pela primeira vez (mesmo os jovens que lá foram) as palavras do Papa nessa Jornada no seu país natal, que, como disse, nunca teria ousado escolher como meta da sua primeira viagem. Porém, “o próprio bom Deus assim dispôs”.