Manuel Oliveira de Sousa no final de treze anos n pastoral juvenil Manuel Oliveira de Sousa, vice-presidente do conselho executivo da escola secundária de Ílhavo, acaba de deixar o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, embora continue a exercer funções na pastoral juvenil nacional. Foram 13 anos em que Oliveira de Sousa teve como “preocupação primeira ter a juventude na ‘agenda’ do agir pastoral da Diocese de Aveiro”.
Qual é a grande lição a tirar da caminhada sinodal?
A resposta oscila entre uma certa laconicidade e o realismo pastoral. A grande lição da caminhada é que a diocese não estava preparada para a fazer – lacónico, sem mais! Mas há outra parte da mesma interpelação: será que alguma vez alguém esteve ou estará preparado para o absoluto das grandes decisões? Precisávamos de fazer esta caminhada: há dez anos que o devíamos aos jovens, à Igreja de Aveiro, desde o dia 25 de Junho de 1995, desde o II Sínodo Diocesano.
Em síntese, a grande lição: estamos sem capacidade congregadora! Quando digo “estamos”, não me refiro à Igreja, digo em relação a todas as partes sociais. Há um maras-mo descompremetedor. Isso tem reflexos em tudo o que fa-zemos. Na caminhada também! Distingo “congregador” de “mobilizador”, porque mobilizar, com maior ou menor dificuldade, toda a gente consegue fazê-lo. Nós temos a missão de congregar, de construir (a Igreja)! A caminhada foi mais uma pedra na edificação da Igreja. Na última assembleia, sublinhava-se a necessidade de distinguir bem se se apresentavam propostas para uma Igreja de “massas” ou de “fermento”. Há anos que temos esta preocupação. Desde sempre fomos fermento, mas fermento para a massa. E continuando com a metáfora, algumas vezes temos de fazer fermento de fermento!
No fim destes 13 anos à frente da pastoral juvenil diocesana, qual é a nota dominante?
Os jovens – o centro do agir humano, social e eclesial. Os jovens são alegria, solidariedade, esperança… quem não quer viver assim, na busca permanente de ser jovem com os jovens!? O problema reside na capacidade de ser perseverante (pela irreverência dos jovens e pelas mudanças que se dão todos os anos, sempre a começar!) e presente (a acção com os jovens faz-se caminhando lado a lado, nunca à distância, muito menos virtualmente).
Em que é que se avançou mais?
Rentabilizámos os talentos que, particularmente o Pe José Fidalgo e Pe Rogério Cruz, nos confiaram e respondemos aos jovens do nosso tempo com as propostas necessárias. Entrá-mos para o SDPJ – falo no plural, porque quero fazer referência explícita a todos os que estiveram comigo nas equipas do Secretariado! – quando os computadores davam os primeiros passos, em 1991! Abordámos todos os aspectos: formação de animadores, equipas arciprestais, comunhão de trabalhos com todos os sectores de pastoral (vocacional, familiar, conselho diocesano de pastoral juvenil…), guiões, itinerários de formação (destaca-se o espiritual), rádio, jornal, Internet e até televisão, por força dos compromissos que assumi em termos nacionais e internacionais. Esta geração foi a geração do Sínodo, de D. António Marcelino, de João Paulo II, da consolidação das jornadas mundiais, festivais, Fátima Jovem, etc. Foi sempre preocupação primeira ter a juventude na “agenda” do agir pastoral da Diocese de Aveiro. Destacar o quê? Apenas demos tudo o que podíamos dar; o resto… é obra de Deus!
Tive gosto em trabalhar com três equipas (cerca de cinquenta jovens, no início, que depois fomos crescendo) a quem agradeço, a cada um, a colaboração, a amizade, o serviço à Igreja em comunhão. E é esta a mesma vontade e disponibilidade que vejo no Rui Barnabé e na sua equipa. São assim os ciclos da pastoral juvenil. Ficam marcados pelas pessoas que num determinado momento são os protagonistas. De resto, os jovens serão sempre jovens!
E a maior dificuldade neste trabalho?
Sinceramente, sem nenhuma pantominice, considero em primeiro lugar o comodismo, a acomodação, que obviamente contagia outros. Por exemplo, se tivesse mantido a dedicação dos primeiros tempos, os jovens e a Diocese teriam sido melhor servidos!
Em segundo lugar, a saturação pastoral provocada pela escalada da permanente busca da novidade e pelo endeusamento do lúdico e do descanso.
“Em breve haverá uma proposta nacional para a caminhada com jovens”
Em termos nacionais, como vê a pastoral juvenil?
Nos últimos anos fez-se uma esforço de comunhão enorme. Há um trabalho fantástico de consolidação, de animação, de corresponsabilidade (nas actividades, no debate, no agora criado Conselho Nacional de Pastoral Juvenil,…)! Obviamente, não podemos falar de uma pastoral nacional, em virtude da essência da Igreja estar na Igreja Local. E, para além disso, nesta matéria e para sermos claros, tem havido uma preocupação para acertar propostas conjun-tas, para que os mais despertos motivem os menos disponíveis. Portanto, querendo Deus, em breve chegar-se-á a uma proposta estratégica que dê mais elementos para a caminhada com os jovens em Portugal.
A Igreja está aberta a essa proposta?
Nenhum dos actuais bispos que exerceram ou exercem funções de presidentes da Conferência e/ou das Comissões Episcopais tem dúvidas quanto às linhas de rumo a fornecer aos responsáveis pela pastoral juvenil e aos jovens a quem é ministrado o crisma e se afastam e para os que, cada vez, mais chegam em grande número à Igreja sem conhecer Jesus Cristo… Nesta primeira década do séc. XXI, os compromissos jubilares com os jovens emergirão num plano nacional concreto. É com esse sentido que se trabalha e reflecte.
