O sínodo foi uma etapa, não uma meta

Encerramento da caminhada sinodal dos jovens “Hoje não se faz nada com os jovens sem uma dimensão de prazer e alegria, mas temos de lhes falar com toda a clareza e com a consciência de quem não propõe coisas fáceis. Propomos a Cruz, a alegria na Cruz”, afirmou D. António Marcelino, no encerramento da caminhada sinodal dos jovens, no Seminário de Aveiro, no dia 5 de Outubro.

Depois de três assembleias plenárias, o sínodo, iniciado em Maio de 2003, chegou ao fim, com a discussão e aprovação de um documento em que se afirma num dos pontos que “A Igreja de Aveiro sente-se comprometida com os jovens e a eles quer prestar o devido cuidado pastoral, atendendo à realidade das suas vidas, opções, motivações mais profundas”.

Na discussão do documento – com pouca participação dos jovens, mas com a colaboração decisiva de leigos e sacerdotes –, realçou-se que o texto era pouco operativo, isto é, afirmava princípios, mas nada concretizava em termos pastorais. Mas tal crítica foi afastada porque “pretende-se que seja um documento de inspiração; caso contrário, limitaria a criatividade dos cristãos e rapidamente ficaria sem efeito”, conforme rebateu o Bispo de Aveiro. Outras sugestões houve no sentido de “incentivar os jovens ao com-promisso político-partidário” e de vencer as “resistências dos pais que hipervalorizam o sucesso escolar e desportivo dos filhos, prejudicando o crescimento e autonomia dos jovens”.

No final da sessão plenária, e já a apontar para a abertura do ano pastoral que iria decorrer durante a tarde, o Bispo de Aveiro realçou que o sínodo e as acções da Igreja “não são metas; são etapas, num crescimento que se opera todos os dias. A sociedade cria aposentados, enquanto a Igreja acredita até ao fim: ‘Tu és construtor do Reino!’”. D. António agradeceu ainda ao Secretariado da Pastoral Juvenil cessante na pessoa de Manuel Oliveira de Sousa e apresentou Rui Barnabé, primeiro responsável pelo novo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil.

J.P.F.

Muito trabalho, algum desencanto

“Ao encontro dos jovens, onde eles estão, para com eles irmos mais longe” – foi este o lema que orientou o sínodo, isto é, as centenas de reuniões de reflexão e discussão de 67 grupos de jovens, em 29 paróquias da diocese, e que confluíram para quatro reuniões plenárias. O trabalho feito foi grande, mas não sem algum desencanto. “Os inquéritos não chegaram a tanta gente como se pretendia”, afirmou-se. “A realidade dos jovens é cada vez mais fragmentária, dispersa e episódica”. O documento final, com as achegas da assembleia de 5 de Outubro, constituirá uma orientação importante para a pastoral juvenil da diocese de Aveiro.