A surdez: problemáticas e perspectivas de intervenção

“O Homem não pode não comunicar”

Watzlawick

Teve lugar no Museu Marítimo de Ílhavo, nos passados dias 3 e 4 de Março, o II FÓRUM – A Surdez: Problemáticas e Perspectivas de Intervenção.

O evento, organizado pela Unidade de Apoio à Educação de Alunos Surdos de Ílhavo (UAEAS) e pelo Centro de Formação das Escolas do Concelho de Ílhavo, contou com o apoio da Câmara Municipal ilhavense.

Durante os dois dias, os cerca de 100 participantes presentes (educadores, professores, terapeutas da fala, pais e pessoas surdas) debateram aquela problemática, de forma bastante participativa. As comunicações, muito variadas, acentuaram uma perspectiva educacional, centrada na importância da comunicação.

“O processo de desenvolvimento da criança surda não acontecerá se o envolvimento não der a essa criança uma língua para ela analisar e imitar”, como refere Furth. E foi com esta convicção que a reflexão se processou, passando por temas tão importantes como “Hipóteses Comunicativas na Educação da Pessoa Surda”, “A Língua Gestual Portuguesa na Educação”, “Implantes Cocleares – que apoio à comunicação, fala e linguagem”, “Avaliação clínico-educativa” e, ainda, “A importância da família e de todos nós”.

Para além das comunicações apresentadas por profissionais há muito a trabalhar com crianças e jovens surdos, foi importante o testemunho da mãe de uma criança surda. Ainda de relevante neste Fórum houve a apresentação, por uma aluna surda da UAEAS, do 12º ano, do projecto “Regionalismos da Língua Gestual Portuguesa”.

Uma das comunicações foi apresentada por uma professora de Apoio Educativo com formação em Educação Visual, ela própria surda congénita. A sua reflexão sobre a importância da Língua Gestual Portuguesa na Educação trouxe, a todos os participantes, a força do vivido.

Os participantes tiveram, ainda, ocasião de desfrutar de momentos de descontracção, poesia e arte, proporcionados com a utilização da Língua Gestual Portuguesa, através da interpretação de uma canção e de um poema. Como dizia um dos oradores, em Língua Gestual, a poesia é mais poesia. Estes momentos revelaram, pela sua beleza, a força e o dinamismo de uma Língua que, sendo visual e espacial, modalidades a que as pessoas surdas acedem facilmente, lhes permite serem cidadãos de pleno direito.