Mais equilíbrio, mais saúde — bem-estar psíquico, espiritual, físico e social Na quinta-feira, 4 de Março, no Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC), em Aveiro, reuniram-se 150 inscritos na acção de formação “Mais equilíbrio, mais saúde”, destacando-se a presença de vários alunos do primeiro ano de Gerontologia da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro e de onze lares do distrito de Aveiro, bem como de voluntários que prestam assistência a idosos e doentes.
Frisando a importância da criação de um ponto de encontro entre as diversas instituições que apoiam a pessoa idosa, o responsável pelo CUFC, padre Alexandre Oliveira, relembrou uma acção de formação realizada no ano passado, sublinhando ao Correio do Vouga a parceria que este Centro Universitário tem com a Universidade de Aveiro, a saber: a Reitoria, os Serviços de Acção Social e a Associação de Alunos.
Para iniciar a formação das “Quintas de Março” (leia-se Quintas-feiras), foi convidado o médico Fernando de Noronha Matos, que apresentou a temática do Bem-estar psíquico, espiritual, físico e social dos doentes e dos “nossos velhinhos”, como se lhes referiu amiúde. Partindo do princípio de que quem trabalha com os doentes tem de criar condições para que estes sejam felizes, apesar da adversidade dos problemas físicos ou psicológicos, Noronha Matos insistiu na necessidade e no dever de proporcionar aos pacientes boas condições, quer no âmbito da prevenção, quer no seu tratamento.
Considerando a existência de lares como um mal necessário, o médico sublinhou a importância da família. Nesse sentido, lembrou que nascer, viver e morrer enquadrado numa família é uma atitude natural, que nem sempre sucede na última fase da vida. Por isso, desafiou os presentes a oferecerem ao doente um ambiente familiar, criando relações de afectividade e de esperança, porque deste valor ninguém deve abdicar. A este propósito, Noronha Matos transmitiu a ideia de que cada dia, cada momento, deve ser vivido em pleno, sem se estar obcecado pela ideia da morte, porque são muitos os doentes que se manifestam angustiantemente quanto à sua “morte anunciada”. Aí, o profissional que os acompanha desempenha um papel importante não só a nível físico, mas também psíquico, espiritual e social.
Já no final da sua exposição, Noronha Matos levantou o problema do acompanhamento médico que cada lar proporciona aos seus utentes, graças à presença de um médico, mas que nem sempre se articula com o trabalho do médico de família que acompanha o “seu” doente. Propôs a necessidade de uma reflexão deste aspec-to, para uma assistência aos doentes cada vez mais concertada.
