OS DESAFIOS DA NOVA EVANGELIZAÇÃO
D. António Couto
Paulus
128 páginas
10 €
Este livro junta uma série de textos centrados na temática da “nova evangelização”, expressão que, segundo alguns comentários, o Papa Francisco terá deixado cair para falar simplesmente de evangelização. Mas, ou porque o que é necessário, afinal, é mesmo uma evangelização, ou porque a evangelização efetiva é sempre nova, o tema continua na ordem do dia. E continuará enquanto a Igreja for Igreja. A evangelização está na sua origem, é a sua finalidade e faz (ou deve fazer) a sua identidade.
D. António Couto publica nesta obra três textos proferidos no Sínodo dos Bispos sobre “A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã” (7 a 28 de outubro de 2012), mais um de “depois do sínodo”, um comentário à “Evangelli Gaudium” e outros 13 textos diversos, entre mensagens para o dia mundial das missões e outros sem referência temporal explícita.
O Papa Francisco diz na exortação “A Alegria do Evangelho” que há um “«excesso de diagnóstico», que nem sempre é acompanhado por propostas resolutivas e realmente aplicáveis”. No caso da evangelização, há um excesso de apelo e poucas propostas realmente aplicáveis. “Para o cristão, ser missionário é a sua maneira de ser, a sua identidade, a sua graça, é uma necessidade, é de fundo e não um mero adereço facultativo. A sua referência permanente é Jesus Cristo e o seu horizonte são todos os corações” (pág. 125). Mas como? Insiste-se que a nossa identidade é “ser missionário” e por isso apela-se para a missão – como se todos fossem discípulos convictos. Porém, como alguém reconheceu, “hoje há muitos batizados, menos catequizados e ainda menos evangelizados”. Os escritos recentes sobre a evangelização falam muito do movimento para o exterior. Mas o principal problema da evangelização é a formação de discípulos, algo, podemos dizer, do interior. “No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”, diz Bento XVI, citado por Francisco na “Evangelii Gaudium”, 7. Fala-se muito da evangelização, mas o que é preciso é ajudar a fazer o encontro com Jesus Cristo, a velha e mais eficaz evangelização, a de sempre.

